Jornada de Cal Rasen -- REMAKE

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Zero Dozer
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Re: Jornada de Cal Rasen -- REMAKE

Mensagem por Zero Dozer » 14 Set 2018, 17:01

1.5 – Mudando de Ideia



– ...Então. O que faremos com o cara?

A voz vinha de um dos homens da Rekenber que havia vindo apanhar Cal quando o encontrou inconsciente. Para eles, parecia uma oportunidade dourada de recapturar o Cavaleiro. Eram quatro homens, um deles um cientista. O cientista que acompanhava os três soldados era o mesmo que havia tentado recrutar Cal em Juno.

– A Legião rompeu a parte deles do acordo. Estão com a garota, o que já é ruim o bastante. – Disse o cientista. – Vamos levar o Cavaleiro daqui e interrogá-lo sobre o que ele já sabe sobre o projeto de Spikier.

Um dos soldados obedeceu sem dizer nada. Se aproximou de Cal, crendo que não seria problema transportar um homem inconsciente. Mas no momento em que encostou seu braço direito no peito de Cal, ele instantaneamente abriu seus olhos, fitando o homem como se estivesse pronto para matá-lo.

O soldado, assustado, reagiu ao tentar puxar um bastão de choque e rapidamente levá-lo contra o peito de Cal. Mal sabia que estava cometendo um grave erro, o que o cientista não teve tempo de avisar quando havia finalmente se virado com os outros dois soldados para ver o que estava acontecendo. Cal havia agarrado o braço com o bastão de choque e forçado o bastão contra seu próprio peito, recebendo a descarga elétrica com um sorriso sarcástico no rosto.

– Parabéns, herói, conseguiu me dar o meu equivalente de café. – Disse Cal no segundo anterior ao que ele prontamente disparou um Trovão de Júpiter com o braço esquerdo contra o peito do soldado, lançando ele para o alto com o ataque. E com os dois braços forçando contra o chão, Cal se lançou do piso e estava novamente de pé, encarando os três que ainda estavam de pé enquanto o primeiro chegava ao chão inconsciente.

Cal prontamente reconheceu o cientista como aquele que estava “tentando ajudar Noah”. Não demorou muito pra juntar dois e dois. – Então, quando ia contar pro Noah que seus planos não batiam com os dele?

– Eu não ia. – Respondeu o cientista antes de sinalizar com a mão direita para que os dois soldados a seu lado se mexessem. Os dois imediatamente sacaram submetralhadoras e as apontaram para o Cavaleiro, que permanecia no lugar, mantendo o olhar furioso.

– Então o jogo era levar a garota, eu como bônus, talvez, e aí você recebia um aumento de salário ou uma promoção do CEO. Genial. Realmente, genial mesmo. – Reagiu Cal, mantendo um tom calmo, porém sarcástico.

Cal permaneceu encarando o trio até que os dois soldados decidiram tentar avançar. Apenas decidiram. O cientista rapidamente notou o soldado da direita levando um corte nas costas de uma imensa espada, com o da esquerda se apavorando e imediatamente descarregando o pente da submetralhadora no que quer que tivesse acertado seu parceiro. Cal, por sua vez, assistia confuso ao espetáculo enquanto o segundo soldado era pego em um agarrão de gravata e imediatamente jogado no chão para receber um soco na cara e acabar igualmente fora de comissão.

– Fique parado aí, doutor, ou eu trato de decapitar você. – Disse o homem de dreadlocks ruivos, que Cal facilmente reconheceu como Palace Atros.

Normalmente Cal ficaria agradecido por receber reforços, mas ele sabia de onde os reforços estavam vindo. Ele se limitou a fazer uma questão ao Legionário. – Você não precisava me ajudar se for pra me matar depois.

Ainda com a Zanbatô apontada para a garganta do cientista, Palace se deu ao luxo de se virar para Cal. – Pois é, mas meu irmão perdeu o que havia sobrado de juízo nele, a Legião nunca teve gente das melhores cabeças na cadeia de comando, e você parece o único aqui que não incluiu nos planos a ideia de transformar a menina numa bomba atômica.

– Más notícias pra você, eu ia matar ela. – Respondeu Cal sem pestanejar, deixando Palace confuso.

– ...O que?

– Eu ia, não vou mais. Não pareceu certo quando chegou a hora. Uma pena, esse cara ia ficar com a maior cara de choro se chegasse e só tivesse um cadáver aqui. – Respondeu Cal, para o desgosto do cientista.

– E por sua causa, agora a Legião tem um protótipo com poderes mágicos enormes? – Indagou o cientista, incrédulo. – Eu preferiria que você a tivesse matado!

Cal já estava andando na direção do cientista. – Pois é, mas eu não matei ela, né? Agora eu posso começar a me preocupar em fazer a coisa certa ao invés de apenas pensar em cagar o cenário todo pra todo mundo como vocês da Corporação gostam de fazer.

Ver a assustada Irma naquele estado havia deixado uma certa clareza de mente em Cal. De fato, matar a garota teria instantaneamente resolvido a situação, deixando a Rekenber, a Legião e até mesmo Kiehl, o residente da Fábrica, sem nada. Mas será que o custo de matar uma criança, mesmo artificial, valia a pena? Para Cal, não era mais a resposta. De certo ponto, ele finalmente entendia porque Noah de todas as pessoas chamou ele para fazer aquilo quando ele poderia ter chamado qualquer um na Corporação.

– Como extra… – Palace adicionava – ...Eu soube que vocês queriam um da Legião pra estudar. Eu por acaso encaixava nos planos ou só valia pra Vera?

Vera era um nome familiar a Cal, facilmente associado com a acompanhante de Valna na ocasião. – Agora que mencionou, tinha uma rapariga com esse nome acompanhando seu irmão.

– O plano era a garota, mas você ia servir, eu admito. – Respondeu o cientista, antes de Cal imediatamente aparecer do lado dele, acertando um forte cruzado de direita em seu rosto e o nocauteando.

Palace apenas assistia enquanto Cal começava a revirar o cientista de dentro para fora. O Cavaleiro achou um PDA, que era usado para passar informações para a Corporação, não diferente de um que ele havia visto no ano anterior nas mãos de Lucario Moonlevar, um dos cientistas mais aclamados da Corporação. Cal prontamente colocou o PDA em seu bolso, esperando obter informações do aparelho no futuro. Também examinou a identificação do homem num crachá escondido dentro do paletó. – Doutor Lance Armeyer. Nome de bundão.

– Você vai precisar de ajuda para chegar na garota a tempo se ainda quiser salvá-la. – Disse Palace, finalmente chamando a atenção de Cal.

– Olha… – Cal se levantou e se virou para Palace – ...Eu agradeço você ter salvado meu couro e tudo, mas eu ainda preciso de uma razão decente pra eu confiar no que você tá dizendo e saber que eu não tou sendo levado pra outra armadilha.

Palace deu um sorriso sarcástico. – Justo. É o que se ganha por entrar num grupo de lunáticos com o irmão pra vingar a morte dos pais e depois apenas vai seguindo a onda.

A resposta de Palace foi o bastante para que Cal resolvesse continuar a conversa. – Eles pretendem iniciar a Irma, não é? Essência de MVP e coisa assim.

Essa era a forma de entrar na Legião. Quando alguém se tornava um membro, ele recebia a essência de um MVP condizente com sua personalidade ou suas habilidades. Não era sempre o caso, como Palace sabia sobre Vera, ou sobre Omni Ferus.

– Iniciação à força. Dimitri pretende forçar a essência do MVP para dentro dela. E com o poder mágico que ela tem, é capaz de que o Dimitri consiga uma coisinha que ele tem procurado: a Forma Perfeita de um Legionário. – Respondeu Palace.

– Forma Perfeita?

– As transformações que você nos vê executando são conhecidas como Forma Máxima. Somos nós canalizando o monstro dentro de nós mesmos. Mas a Forma Perfeita… Dimitri acredita ser possível iniciar uma transformação que transcenda tanto o poder humano quanto o poder de um MVP comum. – Explicou Palace para Cal, que estava processando a nova informação.

– Ah, então ele quer um Morroc em miniatura. Bate com a sua descrição de bomba atômica. – Respondeu o Cavaleiro, sarcasticamente. – Então, onde ele vai fazer isso?

– Portus Luna, a fronteira entre Schwarzvald e Arunafeltz. – Respondeu Palace, calmamente, enquanto Cal ficava exasperado.

– ...Um segundinho aqui. Você disse Portus Luna? – Palace parecia entender bem o que Cal queria dizer com aquilo. – Tá me dizendo que o seu irmão e a secretária dele levaram a menina pra uns duzentos e cinquenta quilômetros a oeste daqui? Quanto tempo eu estive dormindo?

– Duas horas, se eu não me engano. – Respondeu Palace. – E eu tenho um ponto de retorno em Lighthalzen, se estiver na dúvida. Vai ter que vir comigo se quiser impedir Dimitri.

– Fantástico. – Reagiu Cal, ainda mantendo o tom sarcástico e olhando para o primeiro soldado, que ele havia nocauteado e agora estava acordando. – Pelo menos eu levei o palmtop do Senhor Armeyer comigo e o cara leva o prêmio de consolação de sair daqui sem ser retalhado pelas crianças transformadas do Kiehl.

Palace pegou uma Asa de Borboleta do bolso e Cal prontamente colocou a mão no ombro dele, esperando ser transportado junto com o Legionário desertor. – Dia fantástico. Honestamente.

O soldado teve o tempo apenas de assistir Palace, sem dizer uma palavra, esmagar a Asa de Borboleta na mão direita e se transportar junto com Cal para Lighthalzen. Agora, no recinto, estavam apenas ele, seus dois parceiros, um deles com um ferimento nas costas, e o Dr. Armeyer, ainda inconsciente do soco de Cal. Ele poderia chamar reforços, mas relatar a derrota humilhante para aquele que eles passaram a chamar de Blitzritter iria criar mais problemas. Se limitou a acordar o outro soldado saudável e se preparar para sair da Fábrica de Robôs o mais rápido possível.

Enquanto isso, Cal e Palace já estavam na saída norte de Lighthalzen e se preparavam para correr o mais rápido possível para o norte, em direção a Portus Luna, a fronteira entre Schwarzvald e Arunafeltz.


Portus Luna, 4 de Abril de 1009, 17:35.

Valna e Vera não demoraram a alcançar a fronteira entre Schwarzvald e Arunafeltz. Irma, por sua vez, permanecia catatônica, carregada por Valna.

O homem ruivo, alto, trajando uma armadura prateada leve, aguardava os dois próximo a uma capela solitária na área. Imediatamente reconheceu seus subordinados quando eles chegaram e notou que apenas dois deles vieram.

– Vocês dois discutiram o relacionamento de novo? – Indagou o ruivo, que aparentava ser bem mais velho do que Valna.

– Então, Dimitri. Palace se voltou contra a Legião. – Respondeu Valna. – Já dei cabo dele, não precisa se preocupar.

Aquele era Dimitri Markolevich, um dos superiores da Legião e portador da essência do Detardeurus. Era ele quem fazia a maior parte do trabalho sujo de Edith Stein, especialmente no que tangia a cuidar de seus inimigos, em especial a Ordem do Trovão, mesmo que ele jamais tivesse mostrado sua cara para o clã de Cal Rasen.

E Dimitri não estava feliz em seguir as ordens cada vez mais preguiçosas de Edith. Ou em ouvir a resposta sem resposta de Valna. – …Você deu cabo dele? Então me diga, se matou seu irmão, onde está o corpo dele?

Valna largou Irma no chão com uma expressão de quem percebeu que havia acabado de fazer uma idiotice. Vera apenas deu um sorriso sarcástico e assistiu quietamente enquanto Dimiti olhava furioso para seu subordinado.

– Você não é o tipo de desleixar moralmente, mas também não é uma pessoa inteligente como seu irmão, não é, Valna Atros? – O tom de voz de Dimitri se tornou ameaçador. – Porque o que eu vejo aqui é um idiota sortudo o bastante de ao menos ter me trazido o objetivo principal da operação!

– Bem que eu questionei sobre deixar ele e Rasen vivos. – Disse Vera, propositadamente tentando piorar a situação de Valna e causando Dimitri a lançar um olhar ainda mais furioso agora que sabia que Valna havia deixado o líder da Ordem do Trovão viver.

– Não vem com essa! – Reagiu Palace prontamente a Vera. – Mesmo se Rasen vier até aqui com a armada dele, não vai ser a primeira vez que a Legião leva a melhor sobre a turminha dele! Além disso, duvido que ele consiga chegar a tempo de impedir esse pedaço de carne artificial de se tornar uma de nós.

O corpo de Irma finalmente reagiu quando ouviu Valna citá-la. Ela havia passado a prestar atenção na conversa.

– O que ela tem de tão especial pra você, Dimitri? – Indagou Valna. – Porque precisou de três Legionários só por um protótipo?

– Eu já falei o que esse protótipo tem. – Dimitri respondeu, ainda mantendo o tom ameaçador. – Mas não vai ser para colocar ela no nosso grupo habitual. Depois de uma boa lavagem cerebral, ela será tão eficiente quanto eu sou.

– Ah claro, porque a novata possui poder mágico ilimitado digno de Leonard Belmont e o [*$%#@]. – Valna sabia da situação em que estava, mas não conseguia deixar de fazer escárnio da situação toda.

– Além de dois pontos de vantagem. – Dimitri manteve seu tom. – O primeiro, é que ela não vai ter um surto psicótico como, digamos, Omni Ferus. O segundo é que não tem como uma alma sem memórias da vida anterior se importar com mais uma lavagem cerebral. Já fizeram bastante disso nela quando colocaram o cérebro positrônico.

Dimitri parecia entender perfeitamente do que estava falando. Irma ouvia aquilo, ainda segurando seu corpo na posição mais imóvel possível, mas quanto mais ouvia, mais queria colocar seu corpo em posição fetal e simplesmente começar a chorar.

– Se pudermos fazer com outros o que pretendemos fazer com ela, vamos dizer que o futuro da humanidade está totalmente garantido. – Continuou Dimitri, mantendo seus pensamentos para si mesmo enquanto o tom de voz diminuía. Para ele, a menina tinha outra utilidade. Ele queria ver até onde o poder de um Legionário poderia ir e o que ele poderia fazer com esse poder. Era a forma dele de avançar seus próprios planos.

Vera olhou para Irma por um instante e havia percebido que algo estava errado. O olhar da menina não parecia mais estar na direção do infinito. Agora parecia um olhar de pavor máximo. Vera prontamente virou seu olhar para Dimitri, tentando processar o que ele disse e tentando entender como realizar lavagem cerebral e colocar a menina no que Dimitri tratava como “o topo da cadeia alimentar” iria trazer evolução para a humanidade. Dimitri não deixou de reparar nisso.

– E mesmo com inteligência, você parece ter problemas para processar a coisa toda, Abelha Rainha. – Dimitri referiu-se a Vera como a MVP que ela tinha em si. – Talvez esteja tendo problemas para se adaptar ainda? Acontece quando você decide pensar que sua liberdade é uma boa ficha para apostas.

– Bem que o Palace disse que nem todo mundo entrava por vontade própria no seu chiqueiro.

A voz que citou tal frase não era de Vera ou Valna. Dimitri imediatamente olhou para a direita, onde viu duas pessoas se aproximando do grupo. Vera levantou um sorriso como quem tinha acabado de ouvir uma piada e rapidamente olhou para Valna, se referindo a um de seus últimos comentários. – Você. Roga. Muita. Praga.

– E pra Vera, fica aviso que a Edith planejava dar fim em você. Palace mesmo me contou que o Dimitri só quer saber da sua bunda mesmo. – Cal continuou caminhando, mantendo o escárnio em direção a seus oponentes enquanto Palace mantinha-se quieto, fixando seu olhar em Valna. Dimitri olhou para este como se desejasse imediatamente estar na posição para acabar com sua raça, mas decidiu se focar em Rasen e no novo desertor, Palace. Valna apenas se resignou, frustrado e furioso, a apenas esperar por ordens de avançar para cima dos dois.

– Devia ter nos matado quando teve a chance, Valna. – Completou Palace. – Ou não, já que eu vou acordar pelado em algum lugar da Savana de Ida depois de algumas horas, de qualquer jeito.

Dimitri mantinha o olhar incandescente de ira divina em direção a Cal e Palace e então proferiu suas palavras a Valna. – Você quer se redimir da besteira enorme que acabou de cometer? Então eu sugiro que você me traga a cabeça do Rasen e de seu irmão para ONTEM!!!

Valna grunhiu em frustração, mas sacou sua espada, pronto para mais uma luta. Dimitri continuou, aparentemente já tendo percebido que a cabeça de Irma estava voltando ao lugar depois do choque inicial. – E eu quero a Abelha Rainha fora disso. Você está encarregada de manter a menininha traumatizada no lugar.

Palace, por sua vez, sabia exatamente o que fazer. – Rasen, consegue aguentar o Dimitri por uns minutos enquanto eu espanco o meu irmão pra tentar botar juízo nele?

– Já apanhei do Omni Ferus, já apanhei do Morroc, já levei uma espadada gigante no ombro esquerdo do qual eu nem devia ter saído vivo, o que é apanhar do segundo em comando da Legião? – Respondeu Cal, humorosamente. – Pelo menos vai ser legal me entrosar com Dimitri Markolevich em pessoa e saber mais sobre o dia em que ele massacrou a família do Velho Eisenheim.

– Ah, você e Alexander se conhecem. Bom ter me lembrado. – Dimitri já havia sido amigo de Alexander Eisenheim II, o líder da Organização VII, décadas antes. Dimitri foi o responsável por trair Eisenheim para a Legião e massacrar o clã de seu então amigo, levando Eisenheim a juntar os cacos e erguer a atual Organização VII.

– Então. Dimitri, né? Eu tenho uma lista de contas pra acertar com você, começando pelo que você fez no Johan ano passado e terminando na menininha que eu vim salvar aqui. – Cal sacou uma Claymore que havia pego do armazém em Lighthalzen, uma vez que havia esquecido a anterior na Fábrica de Robôs na pressa. E então se posicionou para combate, enquanto Palace ia na direção de seu irmão. – Dimitri Markolevich. Nome maneiro pra um Moscoviano.

– Não é ótimo? – A expressão furiosa de Dimitri mudou para uma maníaca e ele abriu os braços como quem esperava um abraço – Vai poder lembrar meu nome quando chegar no Valhalla.

– Desculpa, eu não tou no plano de morrer hoje. – Respondeu Cal, ao passo em que Dimitri finalmente começava a vir em sua direção.

Ao mesmo tempo, Valna finalmente avançava contra seu irmão Palace, iniciando a luta dos Irmãos Atros. Vera e Irma agora estavam assistindo um confronto duplo. Para Vera, era um choque de ideais no qual ela estava finalmente prestando total atenção.


OFF


Tá demorando, mas tá indo. Espero que mais gente vá lendo isso aqui.
Growing up, it's like a civil war, don't turn away, it's something you can't ignore...

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Re: Jornada de Cal Rasen -- REMAKE

Mensagem por DMoRiaM » 14 Set 2018, 19:18

Eu estou lendo, pode apostar.
/ok
Quando der tempo coloco uma assinatura... :D

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Zero Dozer
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Re: Jornada de Cal Rasen -- REMAKE

Mensagem por Zero Dozer » 15 Set 2018, 12:37

1.6 – Humano, Artificial



Irma permanecia forçadamente inerte, olhando para o confronto que estava prestes a começar na sua frente. Vera, sob ordens de Dimitri, estava mantendo vigia na garota, mas já havia percebido que ela não iria sair do lugar. Resolveu avisá-la por via das dúvidas.

– Não se mexa. Por sua segurança. – Disse a Legionária. – Não seria legal entrar na linha de fogo dos dois. E eu estou muito curiosa pra saber se Cal Rasen é a pessoa perigosa que dizem que ele é.

Irma não reagiu, mas tinha entendido perfeitamente o aviso. Estava exausta, física e mentalmente. Estava apavorada demais para fazer qualquer movimento brusco de qualquer jeito. Não tinha escolha senão assistir o confronto prestes a começar.

– Não é ótimo? – A expressão furiosa de Dimitri mudou para uma maníaca e ele abriu os braços como quem esperava um abraço – Vai poder lembrar meu nome quando chegar no Valhalla.

– Desculpa, eu não tou no plano de morrer hoje. – Respondeu Cal, ao passo em que Dimitri finalmente começava a vir em sua direção à toda velocidade. Cal esquivou do primeiro ataque dele e preparou um Impacto de Tyr, do qual Dimitri não teve dificuldades de se esquivar. Cal então tentou aplicar uma rasteira contra o ruivo, apenas para acertar o ar enquanto este saltava e lançava sua pesada espada na direção do Cavaleiro. Cal, porém, conseguiu reagir a tempo, impulsionando-se para longe de Dimitri enquanto a força de seu ataque explodia a terra ao raio de meio metro dele.

Cal olhava para seu oponente, surpreso. Não esperava que ele realmente fosse tão forte sem sequer se transformar em “meio-MVP”. Seus pensamentos se voltaram para esse fato.

“Ele fez isso só com metade de sua própria força. Dá medo de imaginar o que ele faz com o poder todo”, pensou Cal enquanto via Dimitri voltar para a postura ereta e novamente apontar sua espada para o Cavaleiro. “E lá vamos nós”, sua mente proferiu de novo antes de resumir o combate.



Não longe dali, ocorria o confronto dos Irmãos Atros. Os dois avançaram imediatamente um contra o outro, desferindo golpes velozes de suas Zanbatôs. A velocidade dos golpes fazia os dois parecerem quase borrões, e era um atestado da grande força dos dois. Não demorou até que os dois chocassem suas espadas e as forçassem uma contra a outra, permitindo que os irmãos se encarassem.

– Então, como o Rasen te convenceu? – Indagou Valna – Mulheres, amigos ricos, piscinas de dinheiro?

– Engraçado pensar que a vida é uma micareta dessa forma, Valna. – Respondeu Palace. – Isso ou você abdicou do senso comum no momento em que entrou na Legião!

Os dois destravaram de suas posições, e Valna respondeu ao comentário do irmão saltando para cima dele e preparando seu ataque, a lâmina da Zanbatô envolta em uma estranha fumaça preta. – GARRA DE GALLION!

A técnica secreta que Valna usou era reconhecida por Palace como uma Break Art. A técnica usava energia espiritual do usuário para gerar todo tipo de efeito e habilidades sob uma arma e causar dano devastador.

Palace se jogou para o lado enquanto o golpe de seu irmão acertava o chão, levantando poeira e deixando uma grosseira marca na terra. Resolveu usar sua própria Break Art, gerando uma esfera de energia na ponta de sua Zanbatô, que era girada acima da cabeça cheia de dreadlocks de Palace antes de ser apontada para o irmão como um canhão disparando seu projétil. – SEPARAR!

Valna se desviou para o lado e viu a esfera de energia passar a centímetros de seu rosto, e então bater em um dos pilares que enfeitava o portão da fronteira, derrubando-o como um tronco de uma árvore.

– Chegamos mesmo a isso, então. – Valna já não tinha mais o olhar de escárnio do começo da luta. Agora esse olhar era de desprezo. Palace certamente considerava o sentimento mútuo, já sabendo que seu irmão não iria recuar.

– Se a sua definição de justiça é ferir e matar pessoas, é, nós realmente chegamos a isso. – Respondeu Palace – Infelizmente, a minha definição de justiça é frear caras como você. Mesmo se você for meu irmão e eu tiver que matar você!

A paciência de Valna tinha oficialmente acabado. Resolveu finalmente começar a se transformar em Atroce. Palace não perdeu tempo em fazer o mesmo. E assim, os dois começaram a crescer pelugem pelo corpo todo, suas cabeças achatando e começando a ganhar um formato canino, seus corpos ganhando massa e músculos conforme o tamanho dos dois praticamente dobrava.

Aventureiros próximos que tinham parado de atacar Ventos da Colina para assistir ao combate dos dois imediatamente começaram a perceber porquê aqueles pássaros começaram a fugir e se tocaram de que era hora de fazer o mesmo. Corriam assustados por suas vidas, enquanto os Irmãos Atros, que nem mesmo sabiam que tinham atraído uma plateia, se encaravam, suas transformações completadas.

– Atroce contra Atroce. O que me diz, Palace? – Desafiou Valna, apontando a espada para o irmão e vendo o sentimento sendo reciprocado pela mesma ação. E assim o combate voltava a ocorrer, agora com força total.



Cal, enquanto isso, não estava conseguindo se ajustar ao nível de força de Dimitri. Ele via seu oponente se esquivar facilmente de seus ataques, como se estivesse brincando com o Cavaleiro.

Dimitri lançou um Impacto de Tyr com ataques giratórios, os quais Cal conseguiu se esquivar. Este tentou se aproveitar da inércia gerada e tentou prosseguir com um chute giratório na cabeça de Dimitri, apenas para ter sua perna direita agarrada e ser girado por duas voltas completas antes de ser arremessado para longe. Cal conseguiu usar seus braços para manobrar seu corpo e impedir uma colisão violenta, usando seus braços como freios para o movimento. No entanto, Cal via Dimitri avançando de novo, pronto para um Golpe Fulminante. Enquanto Cal conseguiu rolar para o lado para evitar um acerto direto, o impacto do ataque, com a mesma onda de choque presenciada no começo da luta, tratou de fazer Cal ser arremessado na mesma direção para qual tinha esquivado e se viu forçado a novamente aparar sua queda.

Vera conseguia perceber a tensão e a forma como Cal estava em grande desvantagem contra o sub-líder da Legião. Não conseguia entender como Cal tinha coragem de enfrentar alguém tão mais forte do que ele.

Dimitri ficou parado dessa vez, vendo Cal se levantar com alguma dificuldade, ofegando pelo ritmo frenético ao qual estava sendo forçado. Sentiu-se então na vontade de conversar com sua presa.

– Não entendo a sua motivação, Rasen. Está totalmente em desvantagem, mesmo com o poder que tem, mas quer continuar insistindo, tudo por uma criatura criada em laboratório por um grupo de cientistas. – Zombou Dimitri.

Cal começou a perceber um paralelo entre seus propósitos e os de Dimitri. Horas atrás, o plano dele era simplesmente matar Irma e chamar aquilo de dia. Agora, vendo o discurso de Dimitri… – ...Engraçado. Consigo ver em você o tipo de merda que passava pela minha cabeça horas atrás. Toda a bagaça com o Leafar deve ter mesmo ferrado com a minha cabeça como a Thelastris diz.

– E ainda assim, se dispõe a arriscar sua vida por uma menininha sem memórias ou sequer uma definição de vida antes de nós aparecermos. – Continuou Dimitri, ignorando o discurso de Cal a si mesmo. – Ela não possui valor, Rasen! Ela sequer é um ser vivo! Não há a menor diferença entre a razão da existência dela e as nossas motivações!

O discurso de Dimitri foi então recebido com uma risada de escárnio de Cal. – ...O que te faz ter essa linha retardada de pensamento?

Dimitri foi pego de surpresa pelas palavras de Cal, que prosseguiu. – Você realmente espera que ela aceite o que você impor a ela só porque ela foi feita num laboratório? Sinto muito, eu acho que você meio que se recusa a entender como “livre arbítrio” funciona. Por acaso aplicou esse mesmo discurso no meu clone quando recrutou ele? Ou na senhorita Vera quando transformou ela na sua escrava?

A expressão de Dimitri mudou ao ouvir aquilo. Estava tratando as palavras de Cal como uma piada de péssimo gosto.

– Sua visão das pessoas me parece ser a de brinquedos que se usam uma vez e então são jogados fora. Não é assim que funciona. O nome dela é Irma, pra começo de conversa, palhaço. – Dimitri ficou furioso ao ser insultado pelo Cavaleiro dessa forma, lançando um olhar mortal sobre Cal – E o que eu vi dela é o suficiente pra dizer que ela é tão humana quanto eu sou.

Irma ouvia o discurso do Cavaleiro e finalmente se levantou da posição que estava, com Vera tentando freá-la de novo. – Não se mexa, não viu que isso ficou perigoso demais?

– Mais do que vocês todos já tornaram? Ele é a ÚNICA pessoa que se dispôs a me tirar do perigo!!! – Finalmente reagiu, com lágrimas nos olhos. Vera ficou muda e chocada com a resposta. Era como se a resposta de Irma finalmente tivesse mostrado a ela o quão omissa ela se tornou em relação a tudo.

Cal continuava encarando Dimitri e o desafiando verbalmente. – Não vou sair de Portus Luna sem a garota, e certamente não vou ser barrado por um pedaço de bosta que não possui bússola moral nenhuma!

Dimitri finalmente havia deixado de lado a postura de caçador e agora estava prestes a jogar como o exterminador que era. – Você. Vai. SANGRAR!!!

– É o que todo maluco que tenta me enfrentar diz antes de acabar sangrando. – Respondeu Cal, enquanto Dimitri finalmente pulava em sua direção. A Claymore de Cal começava a liberar carga elétrica, sinal de seu próprio poder. No entanto, ele já sabia o que estava vindo em sua direção e resolveu pular para trás. Dessa vez, Cal conseguiu evitar a onda de choque, muito maior do que a mostrada ao longo da luta. Dimitri havia acabado de deixar uma cratera de três metros de diâmetro no chão… com um soco.

Ao pousar no chão, Cal percebeu o quão encrencado estava. – Ah. Então é disso que você é feito.

Dimitri se levantava do golpe que havia acabado de executar, o olhar maníaco dirigido a Cal. – Você tem determinação, mas isso ainda não vai te salvar de ter cada osso de seu esqueleto quebrado.

“Vamos lá, Cal, tem que ter um jeito de virar a [*$%#@] da mesa”, pensava enquanto via Dimitri começar a caminhar lentamente em sua direção, certamente sem freio nenhum a essa altura do campeonato.

Dimitri agora apontava o braço direito para Cal e preparava uma esfera de energia negra que serviria de projétil contra o Cavaleiro, que ainda tinha uma resposta sarcástica ante o novo problema. – Ih, virou Dragon Ball Z agora. Fodeu.

Dimitri, porém, teve seus planos interrompidos quando uma forte descarga elétrica o acertou por trás, pegando tanto ele quando Cal de surpresa. Dimitri se virou furioso para o novo oponente, já sabendo quem era. – Vai pagar caro por isso, Abelha Rainha.

Vera havia acabado de interferir na briga entre Cal e Dimitri, e certamente era a favor de Cal. A resposta sarcástica dela apenas enfurecia Dimitri ainda mais. – Pois é, eu certamente vou me arrepender de largar o emprego de secretária de um bando de frouxos que quer acabar com a humanidade. Veja só como eu estou sofrendo por isso.

E quem falou que você vai sentir qualquer coisa? – Dimitri ainda tinha a carga de energia escura em sua mão, e imediatamente a disparou contra Vera… O que acontecia de também ser a direção geral onde Irma estava. A informação chegou rápido o bastante em Cal.

Vera esperava ser obliterada pelo ataque, mas ficou chocada quando viu que, ao invés de acertar seu alvo pretendido e o que quer que estivesse atrás, a esfera de energia foi cortada por uma Claymore que prontamente estilhaçou, restando apenas uma lâmina feita de eletricidade em seu lugar. Seu usuário parecia furioso o bastante e encarava Dimitri com um olhar maníaco, enquanto ela via o projétil explodir como uma bomba, vinte metros à sua direita.

Irma e Vera estavam olhando para Cal Rasen, que havia, em uma fração de segundo, se jogado na direção do projétil e repelido o ataque quase como se não fosse grande coisa. Dimitri, por sua vez, não sabia se ficava surpreso ou ainda mais enfurecido. Ou com medo, agora que a fúria nos olhos de Cal estava preenchendo o ambiente todo. Assim como sua mana verde, saindo de seu corpo como flocos de luz e eletricidade.

Eu certamente vou fazer você sentir mais dor do que jamais sentiu na sua vida. – Respondeu Cal à frase de Dimitri proferida a Vera.

– Acha mesmo que esse show de luzes e eletricidade pode me deter, moleque? – Dimitri continuava desafiando verbalmente seu oponente, mesmo ciente do que já estava acontecendo.

E quem falou que isso é parte do Kit Thor? – Respondeu Cal – Qualquer pessoa com conhecimento suficiente pode acender a própria mana e aumentar a própria força com isso. Um truque bem clichê que acaba por ser bem efetivo em casos como o seu.

O momento de Cal era visível o bastante para fazer com que os Irmãos Atros, brigando ainda à vista, parassem por um momento, prestando atenção na luz verde que preenchia o local.

Irma sentia o calor vindo daquela luz, a energia saindo dele era praticamente confortável a ela e opressora a Dimitri. Ela tentou pegar um dos flocos de energia com a mão quando se aproximou dela. – É tão… Lindo…

– …Foi com isso que ele causou a vitória na Batalha de Sograt… – Reagiu Vera, completamente em choque. Ela sabia do resultado final da batalha que deixou Morroc em uma situação muito ruim, forçando-o a fugir de Midgard. – Essa energia. Foi a mesma que ele acendeu nas cinco mil pessoas que sobreviveram à Batalha de Sograt!

Já passou da hora de igualar essa luta, Dimitri. A partir desse momento, você vai ver 100% da minha capacidade. E quem sobreviver a isso vai ter que dar à Edith a triste notícia de que você agora não passa de uma pedrinha na minha estante quando eu acabar. – Avisou Cal antes de apontar a espada de eletricidade contra Dimitri.

– Ora… SEU…!!! – Dimitri não conseguia mais conter sua própria fúria e avançou a toda velocidade contra Cal, que já esperava pelo ataque, olhos fixos no que agora era sua presa.

Isso mesmo, idiota. Vem cá receber um pouco de HUMANIDADE!



– Essa é a conclusão lógica da manifestação de mana. Ele realmente dominou isso. – Palace dizia a si mesmo enquanto ele e seu irmão olhavam abismados para o combate entre Cal e Dimitri.

– Essa energia… Toda essa energia… – Valna não conseguia entender o que estava acontecendo ali. Cal certamente não tinha toda essa força quando o Legionário o enfrentou na Fábrica de Robôs. Ele se virou para Palace, que ainda lembrava que estava em confronto com o próprio irmão. – …Você ensinou isso a ele, não foi?

– Não tive tempo, e além disso, acho que ele já sabia fazer isso há meses. – Respondeu Palace. – Falando em “fazer isso”, acho que já chegou a hora de dar fim nessa sua palhaçada.

Os Atros tinham conhecimento de como liberar mana de seus corpos passados de geração em geração, e Valna e Palace eram aparentemente os últimos herdeiros desse conhecimento. No entanto, Palace sabia que sua família não era a única com tal capacidade. E sabia que era por causa disso que Dimitri tinha chamado os dois para a Legião não muito depois do massacre de sua família. O que levou Palace a se perguntar se Dimitri não tinha sido o responsável por tal massacre.

Não que isso importasse agora. Nesse momento, Valna exalou uma mana negra, podre, reflexo de sua alma corrompida. Palace respondeu, exalando uma mana laranja, viva de seu corpo, ao instante em que seu irmão avançou, Palace respondeu com outra Break Art, um movimento com o qual pretendia encerrar a luta:

– SINAL SAGRADO!

Um círculo mágico com runas sagradas apareceu no chão, tendo como centro o local onde Palace plantou sua Zanbatô, e Valna se viu sendo prontamente jogado para o alto pela descarga de luz ascendente que o acertava. Por alguns instantes, a luz branca saindo daquela onda de energia sagrada ofuscou totalmente o que aconteceu no lugar, até ceder e então revelar Valna caindo ao chão com força total, quicando e sentindo todo o impacto da queda, já somado ao dano do ataque de seu irmão.

Valna não tinha mais forças para continuar transformado e reverteu à sua forma humana, assim como Palace, que estava exausto do combate. Este reagiu calmamente ao evento antes de voltar seus olhos ao confronto entre Cal e Dimitri. – Bem melhor agora. Com você no chão.



O avanço de Dimitri foi freado quando seu soco acertou apenas o ar, apenas para ser recebido com um soco na boca do estômago, cortesia de Cal. – Você ainda não entendeu o aviso, não foi?

O punho de Cal imediatamente abriu e revelou em seu palmo uma esfera de eletricidade, a qual ele disparou à queimarroupa contra o estômago de Dimitri, fazendo-a atravessar seu corpo violentamente. Mesmo que isso não tivesse aberto um buraco no torso do Legionário, ele agora sentia toda a dor que Cal disse que o faria sentir. E era bastante evidente no choque em seu olhar.

Bem-vindo ao Admirável Mundo Novo, campeão. – Dizia Cal, enquanto Dimitri se dobrava de dor ante o ataque que acabou de sofrer – Quer tentar de novo?

Essa frase fez com que toda a razão sumisse do cérebro de Dimitri, agora oficialmente obcecado em acabar com Cal. No instante em que Dimitri urrou com toda a sua força e tentou jogar um violentíssimo cruzado de direita no Cavaleiro, este respondeu com um gancho de esquerda em seu queixo. Dimitri apenas sentiu seu corpo dobrar para trás com a força do golpe, mas ele se recompôs e tentou avançar de novo em Cal, apenas para ser recebido com um chute, mais uma vez no estômago.

Dimitri deu alguns passos para trás enquanto Cal permanecia no lugar, olhando seu oponente. – Não é mais tão homem agora, não é?

Dimitri tentava entender o que estava acontecendo. Dois minutos atrás, ele tinha o combate inteiro na palma da mão. Agora, Cal estava completamente dominando ele. Se isso se prolongasse mais, acabaria muito mal para ele.

– Des… Desgraçado… – Dimitri, ofegante, encarava seu oponente. – Você pode ter vencido essa luta… Mas não pense que eu não vou me adaptar a isso!

Antes que Cal pudesse preparar o próximo ataque, Dimitri esmagou uma Asa de Borboleta em sua mão. – E quando eu voltar, eu juro, Rasen, eu vou esmagar você.

Dimitri teve tempo de proferir essas palavras antes de sumir completamente do local diante de Cal. A mana do Cavaleiro, então acesa, finalmente apagou, revelando uma pessoa exausta pelo árduo combate. Havia acabado. Dimitri voltou para o Quartel-Geral da Legião sem Irma, sem Vera, ou sequer sem levar a cabeça de Cal como prêmio de consolação.


OFF

Eu só queria que, pelo menos nas fics, o filtro de palavrões fosse desativado. Não é como se crianças lessem essas histórias, ya know.
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Re: Jornada de Cal Rasen -- REMAKE

Mensagem por Zero Dozer » 18 Set 2018, 16:20

1.7 – O Estrago Está Feito



Havia acabado. Dimitri estava derrotado e sua missão tinha sido arruinada. Valna, derrotado por Palace, tinha fugido também, antes que seu irmão pudesse fazer mais alguma coisa e piorar sua situação.

Irma finalmente se sentiu compelida a se aproximar de Cal, que largava o que sobrou da Claymore ao chão. – Cal…

– Eu acho… – Cal disse, com um tom cansado – ...Que eu vou precisar de um descanso.

Cal disse aquilo com uma expressão completamente exausta, antes de desabar quase em cima de Irma, sendo prontamente amparado por Palace. Vera, vendo a cena, olhou para Palace, que já entendia a situação toda e deu um conselho a ela. – Quer uma dica? Você precisa sumir.

Vera deu uma expressão triste a Palace, mas entendia o que precisava fazer. Deu as costas ao trio sem precisar responder. No entanto, antes de partir, Irma chamou sua atenção. – Espera.

Vera se virou por um instante, para ver uma igualmente exausta Irma dar um olhar gentil a ela. – Obrigada. Por ajudar.

Vera não respondeu. Apenas se virou e voltou a correr na direção da savana. Irma permaneceu olhando naquela direção, até que Palace dirigiu a palavra a ela enquanto colocava Cal em suas costas.

– Bem, todo mundo está cansado, e você está encardida e esfarrapada da maratona infernal que passou. O que me diz de irmos todos pra alguma enfermaria e esperar o seu cavaleiro sem armadura brilhante acordar? – Palace já havia notado que Cal havia enfrentado toda a bagunça sem sequer uma armadura para proteger ele. Cal estava oficialmente munido apenas de uma jaqueta e calça jeans e uma camiseta azul-piscina como vestimenta.

O comentário de Palace fez Irma finalmente reparar que seu uniforme de escola estava bastante danificado dos dias na Fábrica de Robôs e a bagunça com a Legião. Olhou envergonhada para o ex-Legionário. – Uh, eu… Tá.

– Beleza. Vamos ver se dá pra entrar em um hospital em Lighthalzen sem a gente se meter em mais encrenca. – Disse Palace, agora carregando Cal de volta para a cidade, com Irma o acompanhando.


Lighthalzen, 8 de Abril de 1009, 9:35.

Cal havia finalmente aberto os olhos depois de quatro dias dormindo como uma pedra. Levou dez minutos até que ele recobrasse totalmente a consciência e percebesse que estava em uma cama de hospital. Forçou seu corpo para cima, sentindo o peso dele, colocou a mão direita à cabeça, ajustando sua visão, e finalmente olhou para a esquerda, reparando Palace sentado ao lado dele.

– Nada mau, Rasen. Não é qualquer um que consegue fazer Dimitri Markolevich sentir medo. – Disse Palace, reagindo ao Cavaleiro recém-acordado e tentando entender onde estava.

– Pera, tem coisa fora do lugar aqui. – Cal estava fazendo esforço para voltar ao mundo real. – Eu sei que eu abati o Dimitri e caí inconsciente, mas como eu cheguei aqui? E cadê a Irma? E a maluca que resolveu trocar de lado?

Palace prontamente apontou o dedo na direção oposta da cama e Cal se virou, notando uma menina de cabelos castanhos e roupas novas, adormecida de bruços sobre a cama.

– Por algum motivo, ela parece gostar do uniforme de escola e se recusou a escolher qualquer roupa que não parecesse com ele. – Disse Palace, o que fez Cal reparar que ela estava basicamente vestindo o mesmo uniforme de Kiel Hyre, agora com as cores trocadas por rosa na camisa e gravata e cinza na saia e colete. – E do jeito que ela tá grudando em você, parece que agora ela é a sua carga.

– Espera aí, como assim “a minha carga”? – Reagiu Cal, frustrado – Eu só concordei de tirar ela da Fábrica de Robôs.

– Espera mesmo deixar ela nas mãos do seu amiguinho Spikier depois de tudo que aprendeu? – Respondeu Palace. – Você viu o lance todo, Cal. Vai ser praticamente jogar ela nas mãos da Rekenber.

Cal olhou novamente para ela, dormindo tranquilamente. Deu um suspiro frustrado. – …Como é que eu consegui uma trolha dessas pra mim mesmo? Ah é, eu ia matar ela pra resolver tudo e então tive essa epifania de que não ia resolver nada.

Palace entendia o discurso frustrado de Cal. Ele mesmo não sabia o que fazer com a própria vida, e agora tinha uma pessoa de quem cuidar. Cal então decidiu mudar de assunto. – Então… Desertor agora, né? Creio que a Vera esteja no mesmo caso.

– Ela vai ter que sumir do mapa por um bom tempo enquanto seu clã lida com o caso do Dimitri. – Completou Palace.

– E o da Edith. – Tentou completar Cal, antes de notar que Palace iria corrigi-lo. – Não?

– Dimitri tem outros planos. E aposto que ele já está trabalhando pra tirar a Edith Stein do caminho.

– Mas ela é a líder da Legião, ele não pode simplesmente…

– …Observe e aprenda. – Disse Palace, já ciente do que aconteceria. Cal estava entendendo a situação e não gostando nada do que ouvia.

– …É tão ruim assim? – Perguntou ele a Palace.

– É. – A resposta foi monossilábica e precisa. Cal apenas se limitou a olhar enquanto Irma finalmente acordava e percebia que seu salvador estava consciente.

“Eu entrei bem nessa agora. Bom trabalho, Cal”, pensava enquanto a menina avançou nele para um abraço, deixando-o confuso. “Bom trabalho mesmo.”


Aeroporto de Lighthalzen, 15:23.

Cal já havia se despedido de Palace. Assistia o ruivo de dreadlocks deixar o Aeroporto enquanto se preparava para decidir seu próximo destino. Ao seu lado, estava sua nova companhia, Irma. Mas naquele momento, ele estava absorvendo toda a sequência de eventos da última semana.

Cal havia acabado de ganhar pontos negativos com Dimitri Markolevich, que obviamente era muito mais poderoso do que o que já havia sido demonstrado em Portus Luna. Sua empreitada a favor de Noah Spikier agora lhe rendeu uma companhia com a qual ele mesmo não sabia lidar. E no instante em que ele tentou contatar o mesmo, descobriu que ele havia sumido do radar da Ordem do Trovão, para a fúria de Thelastris do outro lado da Pedra do Eco pela qual ele se comunicava.

– Você definitivamente quis deixar essa trolha toda pra mim, não foi, Noah? – Disse a si mesmo, enquanto Palace sumia de sua vista no meio da cidade mais moderna de Schwarzvald. Não deixou de reparar que a menina de cabelos castanhos a seu lado agora prestava atenção nele. – Bem, estamos juntos nessa agora. Não posso te garantir que vai estar mais segura comigo do que estava no Instituto.

– Se o que eu ouvi essa semana inteira é verdade… – Respondeu Irma – …Então eu não estou segura em lugar nenhum mesmo.

– Faz sentido. – Cal suspirou, reparando na situação. Agora que ele estava protegendo o protótipo mais valioso da Rekenber, ele seria um alvo. E sem dúvida nenhuma, ela também seria. E como Noah a havia criado para ser nada mais que uma mera adolescente, ela não estava condicionada ao propósito da Corporação: ser a arma de combate perfeita. – Ela já não gostou de saber do Noah. Que maravilha vai ser quando eu falar pra ela que estampei um alvo na minha própria cara.

Cal então foi em direção ao balcão, comprar a primeira passagem para Juno, e de lá, ele voltaria para Izlude. Sinalizou com a mão, indicando para que Irma o seguisse. – Você vem?

– Sim! – Ela respondeu, cheia de energia, correndo em direção a Cal. Cal, por sua vez, se perguntava como as coisas iriam acontecer dali em diante.

Para Cal, a viagem tinha acabado de começar, mas iria durar muito mais do que só um passeio de Aeroplano.




Duas pessoas observavam Cal e Irma conforme o Cavaleiro pegava suas passagens e se dirigia para as docas para pegar o voô para Juno.

Uma delas era um homem, passando dos trinta anos. Cabelos prateados repartidos, olhos castanhos brilhantes. A armadura que trajava era adornada com cristais azuis em diversos pontos, com uma beca que parecia uma cruza entre uma capa e um sobretudo. A outra pessoa era uma mulher de longos cabelos louros e olhos verdes azulados, aparentando ser pouco mais velha do que Cal. O casaco longo cinzento que ela vestia tinha fileiras de cristais enrugados em seus ombros.

Ela havia acabado de chegar ao local e reparou que o homem de armadura estava com os olhos fixos em Cal. – …Então, é ele? O garoto que ajudou Draloth.

– Pelo visto, é ele mesmo. Já juntei informação suficiente sobre ele. – Disse o homem. – O descendente de Malachias Rasen. Herdeiro de um potencial incrível. O Blitzritter.

Ele reparou que eram apenas ele e a maga conversando. – Pelo visto, os outros não quiseram mesmo vir.

– Cada um possui propósitos próprios – Respondeu a mulher – e uma de nós escolheu trabalhar com o inimigo até onde sabemos. E nenhum desses quatro está interessado na sua busca por vingança.

– E você está? – Reagiu o homem.

– A mulher com quem Draloth é casado é responsável pelo que me aconteceu. – Os olhos bege demonstravam uma expressão gélida naquela mulher – Sua busca por Draloth coincide com a minha busca por ela.

O olhar daquele homem agora fitava o vazio. Lembrava de tudo o que passou e do porque estava na sua busca. A mania era visível em seus olhos por um instante. – Cinco anos. Consciente. Mesmo depois de morto. Destruíram minha sanidade em vida, e o que sobrou dela estava indo embora depois de morto. Eu devo tudo isso a Draloth. Foram as ações dele que me colocaram lá.

– Contanto que não pule em mim ou em outras pessoas quando acabar… – A mulher resolveu pegar seu próprio rumo, deixando o homem com seus pensamentos – …Faça como quiser, Seyren Windsor.


OFF

Isso marca o fim do refeito Livro 1. Agora, começa o verdadeiro desafio: refazer as histórias conforme eu avanço. Isso significa que eu vou ter que resumir o trabalho com o Livro 2.

Dependendo da decisão do D'Moriam, eu até diminuo os palavrões, mas a boca suja é um tanto natureza do Cal, e pelo que fui informado, até do Leafar. Eu adoraria refazer a cena do Midgard Legends onde ele vomita um esgoto no Essny quando desobre a verdade sobre o pai dele.
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Re: Jornada de Cal Rasen -- REMAKE

Mensagem por Zero Dozer » 23 Set 2018, 16:30

Alberta, 17 de Abril de 1009, 23:08.

Não havia uma alma viva no cais de Alberta naquela noite. Ou pelo menos não deveria haver.

O silêncio da noite era quebrado pelas colisões de lâminas, sons similares a rajadas de vento, e duas pessoas discutindo. Um deles era um Mercenário louro de olhos azuis, cabelos espetados e empunhando um par de katares. O mesmo tipo de arma era usado por seu oponente, também Mercenário, possuía cabelos compridos, também louros, e olhos castanhos, mas mantinha um sorriso arrogante, maníaco em seu rosto.

Os dois pararam de colidir seus ataques com um instante, deixando o de cabelo espetado iniciar uma conversa mais civilizada. – Então. Eu já tinha ouvido falar de você. Soube que está tentando sujar o nome dos Rasen. Poderes interessantes os seus, mas honestamente, você já encheu o saco.

O Mercenário de cabelos espetados, trajando uma série de cintos e pequenas placas de metal por cima da malha roxa, mantinha o discurso sem tirar seus olhos do oponente, trajando um sobretudo de tom negro, encobrindo a malha da mesma cor e as várias correntes passando por peitoral. Este ser estranho parecia estar se divertindo com o que estava ocorrendo nas docas de Alberta.

Ele deu uma risada de escárnio ao Mercenário. – Talvez eu possa resolver esse seu tom sério. Assim que a Corrupção passar por seu corpo, e pelo de todos os humanos, você vai entender como as coisas realmente funcionam.

– Você definitivamente é um cara surtado. – Respondeu o Mercenário, que então notou que seu oponente sacou uma Asa de Borboleta. – O que foi? Cansou de se divertir? “Saída do vilão pela esquerda”?

– Eu não tenho tempo a perder com você. – Respondeu o homem. – Minha pesquisa é muito mais importante.

E assim este homem misterioso esmagou a Asa de Borboleta e sumiu rapidamente da vista do Mercenário, que nem se dignou a tentar impedir ele, sabendo que não chegaria a tempo. Limitou-se a seus próprios pensamentos, os quais poderiam ser ditos em voz alta devido à solidão em que se encontrava nas docas escuras. – Você definitivamente parece com alguém da família do Cal.

– Da mesma família, certamente. Parentes próximos, não acho.

O Mercenário notou a voz vindo do telhado de uma guarita. O homem de compridos cabelos azuis e olhos combinando a dita cortina aparentava não ser nem um ano mais velho do que o Mercenário. O homem prosseguiu com seu discurso. – O que achou de seu oponente, Johanne?

– Primeiro, acho que já pode me chamar simplesmente de Johan. – Respondeu o Mercenário. – Segundo, acho que você poderia me falar o que sabe sobre esse cara, já que diz saber mais sobre ele do que eu. Ou o “grande” Eremes Guile teria problemas em me passar essa informação?

O nome não era de qualquer um. Eremes Guile era um dos seis heróis lendários da Guerra Civil de Schwarzvald. Eremes possuía a reputação de ter completamente renovado toda a estrutura da Ordem dos Assassinos, desde a Guilda dos Gatunos até as guildas dos Mercenários e Algozes, praticamente reinventando todos os seus ensinamentos. Assim como os outros membros do grupo conhecido como os Seis Grandes, ele despareceu em 1003 em uma missão, logo depois que a guerra acabou, e isso eventualmente resultou em um homem chamado Kidd sendo forçado a assumir o posto que era dele e ficando nesse posto até hoje.

Eremes então misteriosamente ressurgiu em 1008, sem explicações aparentes, para a Ordem dos Assassinos, que naquele momento estava aceitando o mercenário Johanne Garamus entre seus novos recrutas. Em Março de 1009, depois da Batalha de Sograt, Johan havia entrado em uma cruzada para eliminar seus antigos empregadores, os Escorpiões Vermelhos, e isso coincidiu com uma missão que Eremes estava conduzindo. Os dois eventualmente se ajudaram para encontrar e eliminar seu líder, um homem conhecido como Hank Scorpio. Com o desenrolar dos eventos, era notável que Johan e Eremes acabassem forjando a fogo uma espécie de amizade.


– Ele tem usado a identidade de um membro escondido da Ordem, atendendo por Merjon Rasen. – Respondeu Eremes. – Nós sabemos que Merjon atua hoje em dia no país ao norte do continente e pediu que nem sequer deixássemos o irmão dele sabendo do paradeiro.

– …Irmão? – Johan ficou curioso.

– …Cal Rasen. Vocês dois já devem se conhecer. – Respondeu Eremes, para a surpresa de Johan. – O que eu não entendo é porque ele iria querer usar a identidade de outra pessoa de sua linhagem. Mesmo os Belmonts se diluíram bastante nos últimos 478 anos.

Johan absorvia calmamente a nova informação. Ele já estava acostumado a aprender o que ocorria por trás das cenas, tendo ele mesmo descoberto informações que ele não se dava ao trabalho de passar a Cal ou qualquer outro membro da Ordem do Trovão. No entanto, ele sabia que não podia perder tempo pensando, e arremessou uma nova questão a Eremes. – Tem uma pequena coisa que tem me incomodado, sobre você. Não era pra estar morto?

Eu não acho que eu possa morrer a essa altura do campeonato. – Respondeu Eremes. – Mas sim, eu estava morto. Mas parece que alguém estava interessado em trazer a mim e aos outros cinco de volta. E até mais algumas pessoas, pelo visto.

– E então, nos últimos dez meses, esses caras desaparecem completamente do mapa enquanto você reaparece para a Ordem dos Assassinos. – Retrucou Johan. – Porquê eu não consigo parar de achar isso bizarro?

– Cada um tem seu propósito. O meu é retomar meu trabalho. – Respondeu Eremes.

– E os espectros em Regenschrim? – Perguntou Johan, notando que a “ressurreição” dos Seis Grandes não havia removido os espectros presentes no Laboratório de Somatologia. – Se vocês estão vivos, porque eles ainda estão lá!?

– Difícil descrever. A melhor explicação que eu teria é a quantidade de gente que virou cobaia lá, virou algum tipo de espírito vingativo e acabou assumindo a forma da coisa mais forte que existia por lá: nós.

A resposta de Eremes não confortava Johan. O homem prosseguiu. – Além disso, o homem que nos reviveu não tem intenções muito felizes. Por agora, sumir do radar é uma ótima ideia. Pelo menos até entendermos totalmente nossa situação. A verdade é que ele queria que trabalhássemos para ele. Como você viu, nem todo mundo aceitou a oferta.

Johan ao menos agora tinha certeza de que o Seyren Windsor que viu quando resgatou aquele que seria o Omni Ferus era o homem em pessoa, e não outro espírito louco. Johan poderia deduzir dali que Seyren e os outros abriram caminho de dentro para fora de Regenschrim usando apenas força bruta, o que motivaria a Corporação Rekenber a aumentar a segurança e contratar agentes independentes, o que meses depois dificultaria para a Ordem do Trovão na hora de resgatar o verdadeiro Cal Rasen. Johan levou sua mente por um instante a Detto Brayde, um dos membros do clã que havia justamente enfrentado Cal naquele evento, e então voltou para Seyren.

– Eremes. Você sabe os paradeiros dos outros cinco? Seyren Windsor, por exemplo. – Johan se sentiu motivado a fazer essa pergunta. No dia anterior um surto de mana detectado por Gustave parecia fortemente ligado a Seyren, que Johan então começou a investigar. Eremes sabia exatamente do que Johan estava falando. Eremes suspirou em um tom de desaprovação que parecia perfeitamente dedicado ao lendário cavaleiro.

– Aquele idiota realmente vai fazer isso. – Respondeu para si mesmo.

– Defina “isso”. – Indagou Johan.

– O líder da Chama Prateada tem um prêmio na cabeça dele. – Eremes se referia a Kerd Draloth, a quem Johan conhecia bem. – Seyren e Draloth se conhecem da época da Guerra Civil. Em partes, pode-se dizer que Seyren ensinou o básico a ele. Se eu lembro bem, Seyren acredita que Draloth tem envolvimento com a temporada dele em Regenschrim. Acho que ele está indo atrás de Draloth neste momento.

– Que maravilha. – Reagiu Johan, que olhou para o lado por um instante, e então tentou voltar sua visão para Eremes, apenas para perceber que ele rapidamente havia saltado para um guindaste próximo nas docas. – Sua tentativa de impressão de Batman tá ruim. Tá deixando eu te ver antes de sumir.

– Eu tenho uma proposta a você, Garamus. – Disse Eremes. – Você segue as migalhas de pão que eu deixar, e eu vou avaliar se você é capaz de acompanhar meu ritmo. O que me diz? Um Sicário treinando um Mercenário.

Sicário. Era a definição que Eremes dava à sua atual classe, pois ele já não mais era um Algoz. As habilidades de Eremes na verdade estavam muito além das de um Algoz, e Johan já havia percebido isso.

Com a proposta dada, Eremes apenas saltou do guindaste para os telhados próximos, sumindo na escuridão. Johan estava novamente sozinho nas docas desertas de Alberta. Se encontrava assimilando a coleção de informações que conseguiu, mas não conseguia deixar de prestar atenção nas peças relacionadas a Seyren Windsor.

Foi quando o Mercenário finalmente percebeu que Seyren talvez soubesse quem poderia levar ele até Kerd Draloth. “Mas que droga.”, ele pensou.

“O cara vai procurar pelo Cal.”

Com esse pensamento em mente, Johan agora se dirigia ao norte, primeiro em direção à base da Ordem do Trovão em Izlude, e então procurar por Cal.

A única informação que Johan tinha sobre Cal no momento é que ele havia se embrenhado na tarefa de cuidar de uma menina que havia resgatado na virada do último mês. Johan só poderia esperar rastrear e encontrar Cal antes de Seyren, sabendo que as coisas não iriam acabar bem se o lendário cavaleiro chegasse primeiro a ele.

Livro 2 – A Vingança de Seyren Windsor

Capítulo 2.1 – A Conta-Gotas



Abertura: Departure – R.E.M.



Manhã de 19 de Abril de 1009, Prontera.

Em meio à multidão de mercadores em Prontera, passava Cal Rasen. Logo atrás dele, uma menina de cabelos castanhos e o que parecia ser um uniforme de escola cinza e rosa tentava acompanhar ele.

Irma estava acompanhando Cal há mais de dez dias agora, mas mal conseguia manter contato ou mesmo acompanhar o ritmo do Cavaleiro. Não ajudava o fato de que Cal parecia, na maior parte do tempo, quase ignorante ao bem-estar da menina.

– Cal, espera! Eu não tou conseguindo te acompanhar! – Cal mal prestou atenção na menina tentando se espremer entre a multidão para encontrar o Cavaleiro, mas diminuiu um pouco seu ritmo para que ela pudesse ao menos alcançá-lo.

Para a garota, Cal era a única pessoa em quem ela podia confiar no momento. Para Cal, era quase um estorvo. Ele mesmo ainda se recusava a entender a equação que eventualmente o levou a desistir de matar a menina no Instituto e passar a cuidar dela. Na opinião dele, Irma estaria muito melhor se ela estivesse com Palace Atros, que parecia muito mais adequado para cuidar de outra pessoa do que alguém que lutava para se virar sozinho.

O que também o levava a questionar se ele era de fato a pessoa mais indicada a liderar um clã. Cal estava sumido da Ordem do Trovão há mais de um mês, tendo sido forçado a deixar o clã com uma pessoa de quem ele não gostava. Eventualmente Thelastris acabou voltando e reassumindo a posição como co-líder… ao menos enquanto Cal resolvia seus problemas. Mas Cal não havia voltado para Izlude como o combinado. Estava evadindo a Corporação Rekenber com uma garota praticamente nas suas costas.

Depois de um tempo andando, os dois agora se encontravam na Praça Central de Prontera, onde a concentração de pessoas era menor do que a área sul da cidade. Irma já conseguia acompanhar melhor o Cavaleiro, que finalmente havia parado diante de uma tenda com poções. Com um Mercenário de cabelos louros espetados parado em frente. Cal se aproximou e parou ao lado dele.

– Você desapareceu. – Disse o Mercenário. – Felizmente, você ainda é rastreável.

– Thelastris mandou você atrás de mim, Johan? – Indagou Cal, presumindo que ele estivesse ali sob ordens dela, mandado para trazer Cal de volta pra casa. – Eu fiquei sabendo do Detto.

– O incidente que levou o desgraçado a enfrentar a Thelastris foi ele expulsando o Mystelhain. – Respondeu Johan. – Não havia motivo para tal. Ela não concordou com isso e o ego dele inflou de vez. Fico feliz que ela tenha tentado decapitar aquele pedaço de merda.

Cal apenas deu uma expressão que parecia concordar com o que Johan dizia. O Mercenário de olhos azuis continuou. – Brayde e a Ordem do Trovão no entanto é o menor dos seus problemas.

Antes de continuar, Johan se virou e notou a garota com o uniforme de Kiel Hyre com cores alteradas, olhando para ele sem saber se era seguro se aproximar ou não. – Eu creio que ela seja a causa de você ter sumido.

– É. – Cal respondeu sem demonstrar qualquer inflexão emocional. – Ela mesma. Ela se chama Irma Aloisius e tem medo de sair do meu lado agora que eu salvei ela de ser transformada em um Eva ou coisa assim.

– Uh… Prazer… Senhor Johan? – Irma não sabia como se comportar diante da situação. Johan certamente levantou uma sobrancelha ao ouvir a educação com a qual ela tinha se referido a ele.

– Antes de qualquer coisa, 23 anos não é idade pra eu ser chamado de “senhor”. – Respondeu Johan. – Outra coisa, você realmente deixa o Cal pisar em você dessa forma?

– Como assim? – Questionou Cal, percebendo a questão de Johan.

– Se seu trabalho é cuidar dela, está indo tão bem quanto seu trabalho como líder da Ordem do Trovão, o que quer dizer que você está indo bem mal. Eu creio que mesmo na condição dela, ela ainda seja uma pessoa com sentimentos, não?

– Ela é só a carga de dinamite que Noah e Palace jogaram na minha direção. E eu só estou preso com essa carga enquanto eu não encontrar um lugar seguro pra ela e deixar claro pra Rekenber que eles mexeram com o cara errado. – Respondeu Cal, lançando um olhar irritado a Johan.

Irma baixou a cabeça diante da discussão dos dois. Era óbvio que Cal não queria estar cuidando dela. Ou mesmo estar perto dela. Johan facilmente percebia isso. Cal continuou, lembrando Johan do porquê ele tinha vindo até o Cavaleiro. – Você veio atrás de mim por um motivo. Se não foi pela Thelastris, foi pelo quê então?

Johan bufou ao reparar que Cal iria permanecer ignorante quanto a Irma, mas ainda tinha um trabalho a fazer: o de avisar Cal. Ele logo voltou sua vista para o mercador e começou a dar seu resumo dos eventos.

– Semana passada, ao mesmo tempo que a bagunça do Detto, Gustave localizou uma assinatura de mana incomum em Juno. Inicialmente presumimos que era o Omni Ferus, mas depois de algumas análises percebemos que a assinatura de mana do Ferus é muito diferente. Verifiquei alguns boatos pela Internet e em Juno, e o que estão dizendo é que um Cavaleiro de cabelo branco esteve na cidade e matou um Lorde treinado com um único ataque.

– Legião? – Indagou Cal.

– Se fosse a Legião, teriam sido bem menos sutis, e violentos. Também não teriam partido para cima de um único tenente do Exército de Schwarzvald. – Continuou Johan. – A descrição física do homem de cabelo branco bate com algo mais forte que um Legionário.

Os olhos de Cal voltaram curiosos para Johan no momento em que ele lançou a frase seguinte. – O homem descrito é Seyren Windsor.

– Espera, o quê? – Embora Cal soubesse que Johan havia avistado Seyren quando tirou Ferus de Regenschrim, e mesmo somado com a informação que recebeu dez dias antes de que Johan havia descoberto que Eremes Guile estava vivo, Cal estava tendo problemas para absorver a nova informação.

– De fato, informações indicam que todos os Seis Grandes estão vivos. Eremes parece ter a resposta do que está acontecendo, mas ele não vai dar essa resposta tão facilmente. Além disso, já sabemos o que Seyren tem feito e o que ele vai fazer.

Cal parecia estar entendendo as palavras de Johan, mas ainda demorava a processar o que estava ouvindo. Sua mente havia entrado em estupor a partir do ponto em que Johan havia dito que todos os Seis Grandes estavam vivos. Cal não sabia o que isso queria dizer. E muito menos no que isso poderia implicar não apenas para ele, mas para todo o mundo ao seu redor. Johan continuou seu resumo para Cal.

– Já deve saber que Seyren tem um histórico com Kerd Draloth, não? – Comentou Johan.

– Espera, o que o Kerd tem a ver com o que o Seyren quer? – Respondeu Cal depois de um curto silêncio onde sua mente voltava ao lugar.

– Seyren quer vingança, e pelo visto já sabe que você teve contato com o Kerd.

– Ah. Droga. – A reação de Cal era a prova de que ele entendeu o que Seyren Windsor, o mais poderoso cavaleiro de sua era, poderia querer com Cal Rasen, um então zé-ninguém que mal conseguiu o título de Barão de Rune-Midgard ao se envolver com os eventos do Dämmerung no ano anterior. Seyren queria usar Cal para chegar ao Kerd.

Irma ouvia quietamente os dois conversando, até que seu corpo a direcionou para o sul da cidade, de onde várias pessoas pareciam estar vindo com algum tipo de pressa. - ...Cal?

Cal e Johan notaram a cena e perceberam que a pressa era na verdade medo.

– Não esperava que isso fosse começar tão rápido. – Disse Johan. – E a menina parece capaz de sentir mana também.

Cal havia reparado que ela sequer estava olhando para a multidão correndo, mas sim diretamente para o local de onde aquela multidão vinha. Naquele momento, a assinatura de mana assustadora finalmente chegou a seu corpo, dando a ele a certeza de que Seyren Windsor estava no recinto.

– Eu ganhei na loteria do show de horrores, não foi? – Questionou o Cavaleiro a Johan.

– Pois é. Acontece. – Disse ele enquanto os dois se posicionavam na frente de uma paralisada Irma, esperando seu oponente chegar.


Minutos antes.

O homem de cabelos brancos e armadura sofisticada jogava seus olhos castanhos sobre as armas que um mercador estava vendendo. Um Espadachim desatento esbarrou contra ele, apenas para que aquele homem desse um olhar de canto a ele, dizendo para tomar cuidado onde anda. O Espadachim se desculpou e saiu andando… até que voltou, segundos depois, e prestou atenção no rosto daquele homem. A expressão distraída daquele jovem instantaneamente foi trocada por uma de horror.

– S-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s-s… – O jovem gaguejava fortemente enquanto o homem já parecia saber o que estava por vir e praguejava um “Droga” mentalmente.

– Me faça um favor e não diga meu nome. – Respondeu calmamente o homem.

– …SEYREN WINDSOR!! AQUI!! FUDEU!!!!

O mercador que estava em frente ao homem, assim como todas as pessoas próximas que conseguiram ouvir o jovem gritar o mais alto possível, com a voz falhando quase ao ponto de virar um tom agudo, e então começar a correr por sua vida, haviam notado o homem imponente ali, parado e visivelmente de mau humor. E então imediatamente o reconheceram como algo que normalmente estaria esperando por lutadores muito mais experientes no Laboratório de Somatologia. Não levou muito tempo até que uma situação de pânico se formasse, com as pessoas imediatamente correndo na direção oposta, seja para o norte da cidade, ou para o Portão Sul, onde eles preferiam enfrentar as criaturas soltadas pelo Galho Seco de algum idiota que queria passar o tempo matando coisas a lidar com um dos MVPs mais fortes de que se tinha conhecimento atualmente.

Seyren, porém, permanecia parado, e com um humor visivelmente deteriorado. – Grande palhaço. Conseguiu assustar a cidade toda. Agora vão chamar toda a Guarda do Reino na minha direção.

Seyren olhou um pouco mais ao seu redor até que finalmente notou na distância um trio que não estava correndo. Após uma análise mental, Seyren percebeu que estava diante da pessoa que estava procurando no meio daquele trio e passou a caminhar em sua direção. – Cal Rasen.

Cal, assim como Irma atrás dele, pareciam em choque diante do que estavam vendo. Irma pela mana que sentia; Cal, definitivamente, por ser justamente a pessoa que ele um dia idolatrou, e que agora parecia bastante disposta a arrancar seu couro agora que ele sabia que tinha a chave para chegar a Kerd. E Cal sequer sabia porquê Seyren queria a cabeça de Kerd.

Seyren Windsor possuía uma reputação digna de uma lenda, assim como os outros membros do grupo conhecido como os Seis Grandes: Eremes Guile, Margaretha Sorin, Howard Alt-Eisen, Kathryne Keyron e Cecil Damon. Estes seis juntaram forças na Guerra Civil de Schwarzvald em 1003 DG, pela formação da República, e foram cruciais para o estabelecimento da República de Schwarzvald e o fim da monarquia no país. Igualmente, cada um separado era um extremo prodígio em seu campo, criando revoluções próprias em suas classes. Sabia-se que todos eles desapareceram imediatamente após o fim da Guerra Civil, e que a Corporação Rekenber tinha forte envolvimento com os eventos.

No entanto, cinco anos depois, quando Johan invadiu o Laboratório de Regenschrim para resgatar um capturado Cal, Johan e ele encontraram com um homem que definitivamente era Seyren Windsor, e estava ajudando os dois a sair do laboratório.
Cal agora tinha a certeza de que era o homem em pessoa, caminhando na direção dele, e de Johan e Irma.

Seyren, em troca, via Cal como quase uma celebridade, devido à sua participação e desempenho na Batalha de Sograt e seu papel em dirigir cinco mil pessoas contra o Demônio de Morroc, forçando-o a fugir e abrir o estranho buraco no que sobrou do Deserto de Sograt. Mesmo ainda sendo um mero Cavaleiro, Cal Rasen definitivamente não era um mero humano, e Seyren estava bastante curioso em saber o que tornava Cal tão diferente dos outros, e igualmente, dele.

Seyren parou a cinco metros do trio, sem sacar arma nenhuma. Iniciou calmamente uma conversa. – Você deve ser Cal Rasen. O principal responsável pela vitória de Midgard na Batalha de Sograt.

– Puta que pariu. – Era a única reação que Cal conseguia dar diante da situação em que se encontrava. Não apenas estava de cara com um potencialmente invencível oponente, mas este também reconhecia seus feitos recentes. – Você é mesmo de carne e osso.

– Você conhece uma pessoa de meu interesse. – Seyren foi direto ao assunto. – Ele tem uma dívida de sangue a pagar comigo.

– Seu interesse seria Kerd Draloth. – Respondeu Johan, assumindo o assunto. Enquanto isso, Irma mantinha um olhar de apreensão voltado ao homem de cabelos brancos. – Que interesse um Lorde do seu calibre tem na cabeça dele?

– Cavaleiro Rúnico. – Respondeu Seyren. – É essa a classe a qual eu pertenço agora. E é definitivamente superior a qualquer coisa que um Lorde possa arremessar na minha direção. Mesmo Leafar Belmont teria problemas para lidar comigo. Ah, é. Belmont morreu no mês retrasado.

– Que divertido. Você está totalmente atualizado do mundo. – Disse Johan.

– Porquê Draloth é tão importante pra você, Seyren? – Questionou Cal, reassumindo o assunto.

Retribuir a temporada que eu ganhei em Lighthalzen por causa de suas ações. – Cal ficou confuso diante do que Seyren estava dizendo. – Eu quero a localização atual dele. E eu agradeceria muito se você a desse.

Cal não tinha uma resposta exata para isso. No momento, ele sequer sabia por onde Kerd andava. Não o via desde os eventos do ano anterior, onde ele o ajudou a se livrar da influência da espada Talefing.

E para piorar a situação, Cal estava bastante ciente de que Seyren poderia devorar os três ali com um único golpe se assim quisesse. Seyren, no entanto, sabia quando escolher suas lutas. – Darei 24 horas a você para localizar e entregar Draloth a mim. Veremos o que você faz e quais decisões você toma a partir disso.

– O que acontece se não gostar das minhas decisões? – Cal mantinha o olhar sério lançado sobre Seyren, que parecia bastante confiante do que estava dizendo.

– Não me interessa o que você faz ou não. Se resolver me desafiar pela vida do seu “amiguinho”, sem nem mesmo saber o que aconteceu, vai descobrir o que me tornou uma lenda na Cavalaria. – Seyren então deu as costas ao grupo, sabendo que não demoraria muito até que membros da Ordem do Dragão finalmente aparecessem no recinto para lidar com ele. – Amanhã, na Praça das Mãos em Prontera.

Seyren deu meia volta e saiu andando. O trio, ainda parado diante do evento, ponderava sobre os eventos.

– Pretende deixar ele chegar no Kerd? – Perguntou Johan.

– Eu queria primeiro entender porque ele é tão fixado no Kerd. – Para Cal, já era bem visível que o homem que ele idolatrava como um menininho de doze anos não estava mais lá. Ele conseguia notar um tipo ruim de determinação naqueles olhos castanhos, incendiários. – Eu acho que preciso encontrar o Kerd. Espero que ele esteja em Izlude.

– Vou tentar encontrar o Eremes e ver o que consigo das migalhas de pão que ele deixa. – Respondeu Johan, com um plano de contingência pronto.

– Isso não me cheira bem. – Na verdade, parte nenhuma da história soava certa para Cal. Como era possível que os Seis Grandes estivessem vivos? Ressurreição era mesmo possível, quando ele mesmo já havia desistido de tentar trazer seus pais de volta, tal qual um dia foi sua meta original? O mesmo Cal idealista de outrora agora se via gradualmente transformado em uma pessoa cética.

– Se Eremes Guile me quisesse morto, já o teria feito há duas semanas. – Johan manteve o tom sereno, passando a caminhar na direção de onde Seyren veio. – Sugiro que encontre Kerd em Izlude e faça a ele algumas perguntas sobre o Seyren. Eu cuido da comoção aqui antes de seguir a brincadeira do Eremes.

Cal não tinha outra ideia que não concordasse com o plano de Johan. – Irma, vamos.

– Oh, desculpa! – O chamado de Cal finalmente trouxe a então inerte Irma à atenção. – Então… Até mais, Senhor Johan.

Johan grunhiu internamente enquanto a menina corria para junto de Cal novamente, para o incômodo do Cavaleiro. Não gostava de referências formais. Se limitou a ver o Cavaleiro sair com a menina para Izlude enquanto se preparava para interceptar os membros da Ordem do Dragão que vinham verificar a comoção de cinco minutos atrás. – Algo me diz que isso ainda nem é o começo.



OFF

Esse aqui é longo porque eu percebi que dava pra fundir os dois capítulos numa coisa só e criar uma narrativa melhor. Claro, eu já tinha fundido um bocado de capítulos, mas isso deve me dar espaço pra poder expandir a primeira Curb Stomp do Seyren contra o Cal, que é uma coisa que eu já queria fazer há um tempo.
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Zero Dozer
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Re: Jornada de Cal Rasen -- REMAKE

Mensagem por Zero Dozer » 28 Set 2018, 13:33

Capítulo 2.2 – De Passagem

Levou apenas meia hora para que Cal e Irma alcançassem, a pé, a cidade-satélite de Izlude, a sudeste de Prontera.

Izlude não era apenas a base dos Espadachins. Era, entre outras coisas, a base principal da Chama Prateada, um clã de samaritanos dispostos a enfrentar ameaças a Midgard. E era também a atual base para a Ordem do Trovão, o clã de Cal, que tentava operar em um prédio que Cal havia alugado de um vendedor de uma loja de utilidades.

A Chama Prateada, porém, possuía uma base maior. Conhecida apenas como “O Barracão”, era um alojamento no lado leste da cidade, suficientemente confortável para os membros da guilda. Ali, Cal pretendia se encontrar com Kerd Draloth, o líder do clã, a fim de encontrar explicações que justificassem a caça de Seyren Windsor por ele.

O Bruxo que varria o chão na frente da porta do prédio reconheceu Cal quase que instantaneamente quando este se aproximou do local. – Cal! Quanto tempo, hein?

– E aí, Fizban. Já faz eras. – Disse Cal, cumprimentando o membro da Chama Prateada, Fizban Drake. Cal era incrivelmente familiarizado com os membros do clã; no ano anterior, ele havia ajudado a guilda a salvar Kerd da influência da Talefing, uma espada amaldiçoada que o possuiu e o forçou a cometer atrocidades em seu nome. Cal manteve contato com a Chama desde então. O encontro mais recente dele com o clã havia sido durante a Batalha de Sograt.

– Verdade. Tem feito alguma coisa interessante desde a Batalha de Sograt? – Perguntou o Bruxo.

– Transportando carga. – Cal proferiu suas palavras olhando de canto para Irma, tímida e escondida atrás dele, praticamente como se a menina fosse a “carga”. – Eu me meti numa história enrolada e agora eu tou encarregado de manter ela viva.

– Não é tão ruim. Quer dizer, ela me parece bem gentil. – Fizban tentou se aproximar de Irma, apenas para que ela desse um passo atrás. Cal não conseguiu esconder o extremo incômodo com a cena em seu rosto.

– Esse é Fizban Drake, membro da Chama Prateada. Ele não morde. – Cal olhou novamente de canto para a menina, com uma expressão de reprovação.

– Você não precisa ser tão grosso com a menina, Cal. – Fizban já havia notado que havia certa hostilidade partindo de Cal com a garota.

– Não, está tudo bem… – Reagiu Irma, quase como que num ato de submissão. E isso só parecia gerar ainda mais frustração e reprovação de Cal. Irma resolveu se apresentar. – Eu sou Irma. Prazer.

– Igualmente, Irma. – Fizban a cumprimentou de forma disposta, enquanto Cal permanecia impaciente.

– Olha, eu preciso saber se o Kerd está no recinto. É urgente. – Reagiu Cal, finalmente indo ao assunto.

– Tá grosso hoje, hein, cara? – Fizban se mostrava incomodado com o humor de Cal. Humor esse que Johan já havia notado anteriormente. – Ele tá no Barracão, é só ir lá.

– Valeu, cara. – Cal andou em direção ao prédio, sinalizando para que Irma o acompanhasse, e esta o seguiu.

O Barracão havia sido reformado no tempo após a última passagem de Cal, mas ainda assim o Cavaleiro não teve dificuldades em rastrear o Templário de pele escura e cabelos castanhos escuros na sala de estar, vestindo camiseta branca e calça jeans. Cal parou diante dele, e o Templário não demorou a reconhecer o Cavaleiro louro. – Há quanto tempo, Caledonius.

Irma mal conseguiu segurar o riso quando ouviu o nome. Caledonius Rael Rasen era o nome completo de Cal, que preferia usar apenas um diminutivo enorme para seu nome, junto com o seu sobrenome, omitindo totalmente o nome do meio. E o constrangimento de Cal ao ouvir seu primeiro nome completo de Kerd Draloth era notável.

– Pra variar você continua preferindo usar meu nome completo. Puro Kerd. – Disse Cal, com a mão direita pressionada contra o rosto, muito para a diversão de Kerd.

– E você continua se metendo em aventuras estranhas, pelas notícias que chegaram a mim. – Respondeu Kerd, ainda recostado em sua poltrona. – Pode me apresentar à menina tímida escondida atrás de você? Soube que ela é importante pra Corporação Rekenber.

– Pois é, você deve tar recebendo informação rápida do Velho Eisenheim. – Respondeu Cal, prontificando Irma a sair de trás dele e se introduzir formalmente. – Essa é a Irma, e eu sou a mula de carga forçada a proteger ela porque tanto a Rekenber quanto a Legião tem interesses nela.

– Quanta animação. – Reagiu Kerd ao humor de Cal.

– Melhor do que o plano original, vai por mim. – Cal não queria dizer na frente de Irma que pretendia matar ela inicialmente, mas já sabia que Kerd iria cobrar mais explicação. Teve que proceder com a história. – Um cientista do meu clã me pediu pra tirar ela da Fábrica de Robôs do Kiehl e proteger ela. Meu plano original era matar ela e deixar todo mundo chupando o dedo.

– Espera, você cogitou praticamente cortar o Nó Gordiano como sua primeira opção? – Irma ficou incomodada ao notar o quão casualmente os dois discutiam o fato de que Cal poderia facilmente ter matado a menina e ido para casa sem repercussão nenhuma. Kerd voltou seus olhos para Irma e então para Cal, que se sentava agora em uma poltrona oposta a ele. – Dado essa lógica, eu olho para ela e não vejo dificuldade em entender por que você acabou escolhendo pegar o caminho difícil.

– Sinceramente, eu acho que eu sou um idiota por escolher o caminho difícil. – Respondeu Cal, desviando o olhar dos presentes na sala. – O plano original ia arruinar o ano inteiro de muita gente ruim. Ainda assim, eu achei que não era justo matar ela.

– Correção, você percebeu que não era certo. – Kerd permanecia olhando para Cal, sem nenhuma severidade no olhar. – Você é um ser humano, não uma máquina. O mesmo era esperado de soldados como eu. No fim do dia, você apenas escolheu tentar uma opção em que todo mundo vive. Isso não é errado em nenhuma hipótese.

Kerd tinha experiência de combate, uma vez que lutou na Guerra Civil que assolou a terra natal de Cal, Schwarzvald, entre 1000 e 1003. Ele viu em primeira mão o que a guerra podia fazer com um ser humano, ainda mais entre pessoas que sabiam usar armas de fogo, um instrumento de morte ainda tão incomum em Rune-Midgard. Encontrar pessoas como Cal, que estavam tentando mudar o mundo e ainda se recusando a serem corrompidas por ele, era um alívio para Kerd.

Irma apenas se sentou em um sofá próximo e abaixou a cabeça, se limitando a ouvir a conversa. Kerd conseguia notar o enorme silêncio vindo da garota. – Posso notar que você se sente um tanto oprimida pelo ambiente.

– Mais pra “ela sabe o lugar dela na conversa”. – Respondeu Cal, finalmente chamando a atenção de Kerd. – A razão pela qual a Rekenber e a Legião querem ela, é que ela é o protótipo da mais nova geração de Construtos, criada por ninguém menos que um cientista que atua no meu clã. O mesmo cara que me mandou lá pra salvar a vida dela e entrar nessa bagunça toda.

– Não justifica o seu tratamento para com ela, Cal. – Irma levantou a cabeça ao ouvir a resposta de Kerd, que se virou para ela. – E eu acho que você não deveria se limitar a deixar que os outros comandem suas ações.

– Não é por nada, mas você prestou atenção no que eu acabei de falar sobre a Irma? – Reagiu Cal. – Eu não tenho nem certeza se eu posso classificar ela como pessoa! Especialmente dado a minha experiência anterior com Construtos de terceira geração! Ela é só o protótipo da quinta geração, e nós já sabemos o quão certo o único exemplar vivo da quarta geração deu.

Era possível notar Irma fechando o punho quietamente em seu colo enquanto ouvia a agressividade de Cal preencher a sala de estar. Era completamente óbvio a ela que Cal não gostava dela. E ainda mais óbvio que Cal se sentia forçado a cuidar dela.

Kerd, porém, não ia ficar tolerando a atitude de Cal. Sua expressão havia finalmente ficado séria. – Ela é uma pessoa como nós dois. Ter nascido de outro humano ou ser criada artificialmente não a torna menos de uma pessoa do que nós dois, Caledonius. É uma coisa que não entrou na sua cabeça ainda.

Cal finalmente baixou o tom diante das palavras de Kerd. Diferente das outras pessoas com quem Cal tinha costume de dialogar, Kerd era uma pessoa que Cal simplesmente se recusava a questionar, tanto pela experiência dele quanto pelo respeito que adquiriu por ele. Kerd entendeu isso como um sinal de que Cal não iria argumentar com ele.

– …E você não veio aqui para falar do caso da Irma. Ao menos não a parte que me envolve. – O comentário de Kerd lembrou Cal de ir direto ao assunto.

– O que você sabe sobre Seyren Windsor? – Indagou Cal em reação. Kerd ficou confuso com a pergunta, e Cal clarificou. – Seyren Windsor está vivo, e ele está procurando por você dentre todas as pessoas possíveis. Falou sobre retribuir a temporada que ele passou em Regenschrim por causa de “ações suas”.

Ao ouvir o último comentário, o rosto escuro de Kerd ficou pálido como um pano. O horror em seus olhos confirmava a Cal que Kerd de fato tinha a ver com o que quer que tivesse mandado Seyren para o Laboratório de Somatologia.

– Kerd, o que você fez ao Seyren? Eu preciso saber se for pra proteger você dele.

Diante da questão de Cal, Kerd agora sabia que Cal havia sido completamente arrastado para o tornado por Seyren, tudo por sua vingança. Kerd não tinha escolha senão contar sua história.

– Existe uma lista de coisas sobre mim que você ainda não sabe, Cal. Mas isso não parece estar surpreendendo você. – Disse Kerd.

– Quando eu conheci você de verdade, você estava possuído por uma entidade demoníaca presa em uma espada, eu tenho certeza de que eu só arranhei a superfície da sua vida. – Respondeu Cal.

– Seyren Windsor foi uma das pessoas que me treinaram durante a Guerra Civil. Se eu sei manusear uma espada hoje em dia, é a ele que eu devo esse conhecimento, embora eu tenha aprendido apenas o básico com ele. – Kerd não gostava de incluir em seu currículo o treinamento com Seyren. Era uma pessoa que gostava de conquistar seus próprios feitos. Só confiava essa informação a Cal porque sabia que ele não iria agir como algum fã lunático ao ouvir a história. Não depois de tudo pelo qual Cal já havia passado.

– Coisas novas que se aprendem todo dia… Nada mau. E então? Chegaram a lutar juntos? Ou formar algum tipo de amizade? – Questionou Cal.

– Não chegamos a esse ponto, mas estivemos juntos em alguns combates. – Respondeu Kerd. – Porém, quando a Guerra Civil foi resolvida e Schwarzvald virou de vez uma República, muitos dos soldados eventualmente se viram sem emprego, eu incluso. Foi o que me motivou a virar um mercenário.

– Não há casa pra quem esteve em campos de batalha. – Mencionou Cal. Se não fosse o olhar no rosto dele, seria muito fácil julgar a frase dele como sarcasmo.

– Meu caso foi pouco melhor do que os que sofreram Transtorno Pós-Traumático. Me mantive como mercenário em um grupo de contratos militares privados, porque isso me mantinha em um lugar ao qual eu estava acostumado a essa altura: campos de batalha. E como qualquer um podia chamar um mercenário pelas razões mais diversas, não foi difícil que a Rekenber em algum ponto me contratasse.

A história de Kerd nesse ponto chamou a atenção de Cal. – Você fez contratos para a Rekenber?

– Sim, e Seyren em 1003 estava caçando pessoas envolvidas com a corporação por conta de vários esquemas de corrupção que permitiram que a Guerra Civil continuasse. Eu eventualmente deixei o grupo militar privado por ter minhas divergências com a corporação, mas pouco depois de sair fiquei sabendo que meu grupo havia sido exterminado, salvo seu líder, na operação que resultou na captura de Seyren para um cientista da Rekenber.

– Seyren era realmente o exército de um homem só que todo mundo fala que ele era. – Reagiu Cal.

– Não impediu a Rekenber de capturar ele e os outros membros do grupo conhecido como os Seis Grandes. E em alguns casos, incluindo o de Seyren, até mesmo seus familiares. – O tom de voz de Kerd ficou ainda mais sério. – Eu não sei por que ou como Seyren voltou à vida, mas eu sei quem ele quer vingar, Cal. Ele perdeu sua esposa e suas três filhas naquele laboratório.

A história fazia perfeito sentido na cabeça de Cal, mas algo ainda parecia faltar. – Legal, isso te isenta da culpa do envolvimento na morte dele. Mas tem mais informação. Se você não estava no grupo quando o Seyren mutilou todo mundo, porquê ele ainda quer exatamente a sua cabeça?

– Porque ele sabia exatamente quem estava sendo contratado pela Rekenber, fazia parte de sua caçada. Ele tinha a lista dos grupos envolvidos nos contratos da corporação e meu nome estava nela. O líder só sobreviveu pelo envolvimento de uma Atiradora de Elite, aparentemente contratada de última hora para a missão e de quem ele parecia não ter ciência nenhuma.

– E pode me dizer como sabe de tudo isso, Kerd? – Cal sabia que obviamente ele teria conseguido essa informação de algum lugar, se não estivesse presente no evento.

– Fiz minhas investigações depois que tudo aconteceu e os Seis sumiram. Queria saber exatamente no quê eu tinha me metido com aqueles contratos da Rekenber, e eventualmente descobri que um cientista tinha adquirido interesse nas habilidades únicas de cada membro. Se eu lembro bem, Akahai Shora tinha detalhes sobre esse cientista.

O nome de Akahai Shora não era estranho a Cal. Akahai era a pessoa mais envolvida no que se tangia ao passado da cidade de Morroc e os eventos que levariam à sua destruição em 11 de Fevereiro desse ano. Akahai sempre parecia estar coletando informação de alguma forma. E recentemente, ele havia morrido, sem ter a chance de presenciar a destruição de Morroc ou a Batalha de Sograt.

– Cal, eu sugiro que fique fora disso. As habilidades de Seyren Windsor são anos-luz além de seu escopo. Eu posso resolver essa situação. – Sugeriu Kerd, quase como se soubesse o exato resultado de uma possível colisão de Cal com ele.

– Não tem como. Seyren já me colocou nessa história, e pelo visto, porque sabia que eu conhecia você. – A resposta de Cal não confortava Kerd, e Irma parecia bastante apreensiva ao ver o Cavaleiro tão disposto a enfrentar uma luta tão impossível.

– Eu temia por isso. – Kerd levantou-se de sua poltrona e se dirigiu a Cal. Tirou do bolso dianteiro direito de sua calça uma chave e a depositou na mão de Cal. – Está vendo o armário no canto da sala? Quando a hora chegar, abra-o.

– Desculpa, eu não sei se eu entendi o que você tá fazendo agora. – Cal estava confuso com a chave que havia acabado de receber. – O que tem de especial nesse armário?

– Algo feito para você. – Disse Kerd, de forma críptica. – Só peço que não tente de jeito nenhum imitar seu feito na Batalha de Sograt, Caledonius. Você não conta com a ajuda de cinco mil pessoas dessa vez. E se for o mesmo Seyren que eu penso ser, eu poderia dizer que Morroc não teria conseguido criar aquela coisa enorme no Deserto de Sograt se estivesse enfrentando o Seyren.

Irma via tudo e não conseguia deixar de se sentir completamente incomodada. Ela sabia que algo ruim estava prestes a acontecer. E seus instintos imploravam a todo custo para que ela alertasse Cal junto a Kerd contra enfrentar Seyren. No entanto, ela tinha medo de ser rebatida de volta ao sofá em que se encontrava no instante em que ela tentasse dirigir qualquer palavra a Cal.

Fizban adentrou a sala de estar, interrompendo a conversa, com sua vista focada em Cal. – Cal, eu acho que tem gente do seu clã te procurando.

Cal se virou curiosamente para Fizban, mas resolveu deixar a conversa para depois. – Depois a gente discute como lidar com esse peixe enorme, Kerd. Já vi que a Thelastris quer o meu couro.

– Sem problema, Cal. – Respondeu Kerd, calmamente, enquanto Cal chamava Irma para deixar o prédio.

Ao sair, Cal foi recebido por um homem de cabelo também louro, com duas mechas maiores passando por cima e indo para trás. Cal o reconheceu facilmente.

– A Thelastris tá dando trabalho, não é, Gustave? – Reagiu Cal a seu amigo.

– Na verdade foi o Johan me pedindo pra trazer você até a base, mas sim, tem um dedo bem furioso da Thelastris nisso. – Respondeu Gustave, o homem que funcionava como o “spotter” de Johan em suas missões. – Eu honestamente passei a pensar que você esqueceu que tem um clã.

Não demorou até que Gustave notasse a menina junto de Cal. Johan já o havia informado dela. – Eu creio que essa deva ser Irma Aloisius?

– É. Ela mesma. – Cal manteve o tom incomodado enquanto falando dela.



OFF

Esse ´é o ponto em que eu parei atualmente com a Jornada. A partir daqui, eu vou começar a escrever tudo. O que vai ser punk, porque eu vou ter que mexer em algumas feridas se eu quiser mencionar a Ordem do Trovão. Memórias velhas pra mim tem se tornado troços bem profundos e ruins quando você sabe as pessoas que estão envolvidas.
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