Memórias - Capítulo 5

Sex, 10 de Setembro de 2010 12:00   -   Escrito por SeRaoS

 A batalha final se aproxima e a ajuda finalmente chega. Todos os guerreiros juntam suas forças em um ultimo ataque desesperado ao Super Aprendiz, que se mostrou mais forte que o esperado. Leia mais

 

Capítulo 5 - Recordações Vivas


Texto: Everton Soares
Arte: Matheus Escórcio Adriano


Seraos chorava enquanto Anci encarava o filho com o semblante sério. Passou a mão pelos cabelos brancos e suspirou. O mercenário não chorava por dor, coisa que já aprendera a suportar fazia muito tempo, mas o pranto caia era por outro motivo: vergonha.

- Me desculpe pai. Eu sei que devia ter falado, mas fiquei com medo que seu eu contasse...

- Eu morresse? Ô moleque tinhoso! Eu sou velho, muito mais velho do que você possa imaginar e não vai ser a notícia da morte de alguém que vai me fazer bater as botas.

- Eu fiquei com medo, me desculpe. - disse tentando secar os olhos - Fiquei com medo de ficar sozinho.

Anci emudeceu. Viu seu filho enfrentar diversos MVPs, inúmeros inimigos, amontoados imensos de monstros sem temer nada. Aquela era a primeira vez em toda vida do rapaz que o viu chorar com aquela intensidade. Ele se aproximou do filho e pegou no seu queixo, fazendo com que ele o olhasse diretamente nos olhos e suas mãos ficassem molhadas.

- Escuta aqui e presta atenção porque vou dizer apenas uma vez: eu não morro fácil. Tenho mais de mil anos e já vi tudo que você pode imaginar, entendeu? Tudo! Você acha que sua mãe foi a primeira com quem eu quis casar? Acha que ela foi a única mulher da minha vida? Olha pra mim, filho. Eu sou velho hoje, mas também já fui muito jovem e mais baderneiro do que seu tio. Agora enxuga as lágrimas que o que está por vir só vai depender de você.

- Como só depender de mim? - disse Seraos com um pouco de dificuldade.

- Simplesmente veja. - e dizendo isso puxou uma bolsa por baixo das vestes com alguns equipamentos de cor arroxeada e adornadas com penas de corvo. Eram um capacete, um manto, um pingente e um cinto e eram conhecidos como Conjunto de Morrigane.

- Isso é pra mim? Mas por quê?

- Aquele garoto você já sabe quem é, mas pelo que parece, ele é mais forte que imaginamos. Isso vai ajudar você na sua batalha contra ele até o reforço chegar.

- Reforço? Batalha? - disse Seraos que agora estava completamente confuso. - Você quer que eu lute com ele? Sozinho?

- Relaxa, moleque. - disse o Sumo Sacerdote afundando o Elmo de Morrigane na cabeça do filho - Eu vou te ajudar.


 

Salão Espiritual
Algum lugar no tempo-espaço

- E é isso, Maria Rita. A única chance é você entrar em contato com ela e verificar se ela pode ajudar.

- Bem, temos um pequeno agravante, Montanha. Daqui não posso fazer nada. Temos que ir até lá e eu verifico o que posso fazer.

- Mas onde o seu corpo está? - indagou o Arquimago, um tanto quanto impaciente - Posso buscá-la em um instante.

- Creio que isso não será necessário, caro amigo. Apenas volte ao seu plano que estarei ao seu lado. - disse a Espiritualista com um sorriso sincero - Mas aproveitando, Montanha, o Velhote sabe que você veio aqui?

O louro sorriu e virou-se para o nada, ajeitando o pince-nez frente à face. Balançou a cabeça negativamente, enquanto seu corpo se desfazia e ficava translúcido, até sumir por completo.


 

As inúmeras pessoas assistiam atônitas à batalha. De um lado um garoto translúcido, com roupas de Super Aprendiz e que misturava ataques físicos e mágicos. Do outro estavam três pessoas; um Arquimago com ataques mágicos rápidos e poderosos, um Desordeiros que tentava devolver os ataques recebidos como podia e um Lorde com uma poderosa Executora que aparava e contra-atacava inúmeros golpes do pequeno.

- Isso... está ficando... cansativo! - reclamou Rogue.

- Você está fora de forma, hein? O que andou fazendo naquele farol? - disse Leafar, enquanto defendia mais um golpe de Ryu.

- Nada que você... não esteja fazendo...

- Concentração na batalha. - disse Tremere enquanto tentava atingir o Super Aprendiz com um Trovão de Júpiter e vendo ele se esconder rapidamente, perdendo seu alvo.

O aviso não foi o suficiente. Em um instante o garoto sorriu e se afastou. Os três viram o pequeno guardar sua adaga e começar a sussurra algumas palavras.

- O que ele está querendo fazer? - perguntou Tremere, ao ver a expressão de dúvida no rosto de Leafar e Rogue.

- Não sei, mas parece que ele está mudando a estratégia. - respondeu o Lorde.

- Rá! É só não dar tempo pra ele. - disse o Desordeiro, correndo em direção a criança.

- Rogue, não! - disseram os outros dois.

Enquanto o homem de cabelos espetados corria em sua direção, Ryu acabara de conjurar sua habilidade especial. Seu corpo começou a brilhar com maior intensidade, liberando a aura azul que até então estava oculta. Isso fez Rogue estancar onde estava com a expressão de descrença, a alguns passos da criança. A gargalhada sinistra foi ouvida por todo calabouço e o Super Aprendiz atacou. A cena que ocorreu logo em seguida deixou Tremere e Leafar de queixo caído: Rogue estava jogado no chão, em uma poça de sangue, resultado do impacto de sua cabeça na parede.

- Cansei de brincar. - disse com uma voz fria - Vocês são os próximos.

O instante a seguir foi intenso e rápido. O próximo a ser atacado foi Leafar, que caiu de joelhos sem ver o golpe dado em seu estômago. Tremere olhava de um lado para outro quando, repentinamente, sentiu que tocassem suas costas. Ao se virar, o Arquimago recebeu um soco na cara, que o fez girar várias vezes no ar antes de cair no chão de pedra.

- Perfeito! - sorriu Ryu que agora saltitava - Que bando de fracotes. Acho que agora posso ter o meu desejo saciado. - e andando lentamente seguiu em direção ao Desordeiro desfalecido.

- Você matou minha mãe. - disse raivoso - Agora você vai sentir o que ela sentiu. - e o Super Aprendiz criou uma flecha de pura energia, segurando-a da forma com que Rogue fizera anos atrás para tentar distrair Andry, o que ocasionou na morte da Caçadora.

A criança já estava preparando para desferir o golpe quando uma adaga o atingiu no ombro. A dor fez com que ele soltasse Rogue e rapidamente olhasse para a direção do seu agressor.

- Se você é mesmo a minha contraparte com os sentimentos que eu tinha da minha mãe, deveria saber que ela teria perdoado ele. - disse Seraos, com inúmeras adagas de arremesso nas mãos.

- Perdão? - disse Ryu rindo - Eu sou o resultado das suas frustrações! Você esperava o que? Um garotinho bobinho que aceita tudo que falam?

- Isso fui eu quem ensinou desde quando meu filho era pequeno. Não me surpreende você não saber, criança. - disse Anci, tomando parte da conversa.

- Oh! - o garoto fez uma expressão forçada de espanto - Você também está aqui, "papai"? Acha que seu sermão vai ser o suficiente para eu sair com o rabinho entre as pernas?

- Não. Você é cabeça dura que nem esse daqui. - disse apontando para Seraos - Mas ele tem uma coisa que você jamais terá.

- Amigos? Suporte? Equipamentos que superam as expectativas? Tudo isso é lixo.

- Não, moleque. Ele tem dois dos poucos sentimentos que sobraram nele: Amor e Esperança. Isso o faz mais forte que você, mesmo que Seraos não tenha atingido o nível máximo de poder.

- Balela. - respondeu Ryu automaticamente - Vamos lutar!

Aos poucos o imenso grupo chegava à cena de batalha. Viram três dos seus melhores guerreiros no chão, gemendo. Alguns gritos foram ouvidos, pessoas se desesperaram e o que estavam assistindo parecia ser impossível. Kyrie, Crono e Substratae abriam caminho na multidão enquanto o som da nova batalha que se iniciava deixava a todos angustiados. O Sumo Sacerdote ensaiou correr para auxiliar os que estavam caídos, mas foi segurado pelo Atirador de Elite.

- Foi assim que você foi capturado. - disse sem olhar para o lado - Temos que armar um plano rápido.


 

Ambos pareciam não ter a menor pressa, olhando do alto do aeroplano, mas não viam a hora daquele singular transporte tocar o chão para que pudessem ir o mais rápido possível para a entrada dos esgotos de Lighthalzen. O que parecia ser um silêncio inabalável era uma conversa mental, trocada por métodos alcançados por poucos. Além de Maria Rita e Leonard Belmont, havia apenas mais uma pessoa capaz de trocar palavras por pensamento com eles: o Sumo Sacerdote Anci.

- E como ele ficou Leonard? - disse por telepatia.

- Triste. Mas eu não poderia esconder a verdade. Não sei como ele não notou que o garoto dele escondeu esse fato por tanto tempo.

- Acho que sei. - Comentou a Espiritualista. - É porque é o filho dele. Se Leafar te escondesse algo creio que a única forma de você descobrir seria ele te contando.

- Impossível, amiga, simplesmente impossível. Vamos nos apressar, estamos pousando.

- Claro, claro.


- Parem de se atacar, pivetes!

Anci estava no meio de um fogo cruzado. De um lado Seraos, arremessando adagas que passavam a centímetros dele. Do outro, Ryu atacava a distância com inúmeras magias. Era difícil para o Ancião ter de escolher a quem dar suporte.

- Ambos são meus filhos, ou parte dele. - Pensou - Não quero que nenhum deles se machuque. Aquele Conjunto de Morrigane era apenas para ajudar o Seraos a se esquivar. Mas o Ryu, santo Loki, porque estou me preocupando tanto com ele?

- Porque ambos são a mesma pessoa. - disse uma voz dentro da cabeça do Sumo Sacerdote.

- Quem? Como consegue?

Repentinamente o tempo parou para Anci. Tudo a sua volta estava cinza, com Seraos e Ryu próximos um ao outro e uma multidão ao fundo. Ele virou-se e percebeu a aproximação de uma pessoa que se movia com dificuldades. Reconheceu de pronto a roupa branca da amiga e foi em sua direção para ajudá-la.

- Maria Rita, porque está se esforçando tanto?

- Só vim avisar que o Montanha e eu estamos chegando, Velhote. Segura esses dois, por favor.

- Farei o possível, amiga.

Ao terminar sua ultima frase ele viu a Espiritualista sumir e seguiu em direção a luta.

- Vou dizer uma vez só para vocês: PAREM!

Os dois pararam instantaneamente, incrédulos. Anci estava entre os dois, segurando-os pelo ombro. Momentos depois Ryu já não dava tanta atenção, se debatendo um pouco, mas Seraos se afastou imediatamente. Foram poucas as vezes que ele ouviu seu pai falar daquela forma. O Super Aprendiz continuava, teimoso, encarando o Sumo Sacerdote e tentando se livrar da mão do homem.

- Eu disse chega. - Se impôs o Ancião - Você é surdo?

- Você não manda em mim! - retrucou a criança, dando um forte tapa na mão de Anci, conseguindo se livrar e tentando atacar fisicamente Seraos. A adaga passou direto pelo corpo do Mercenário que se manteve imóvel, de braços cruzados, em uma coluna rosada que se fez sob seus pés.

- Ok. Retiro que eu disse. Você é mais teimoso que o Seraos.

- Posso não atacar fisicamente mas ainda posso usar ataques mági...

A voz de Ryu sumiu. Ele não conseguia se concentrar em nenhum dos ataques mágicos que conhecia, resultado do Lex Divina conjurado por Anci.

- Certo, criança, escuta bem: uma amiga minha está vindo e talvez ela possa resolver esse impasse tranquilamente e...urg!

Sem prévio aviso, Anci recebeu um ataque que o fez cair longe, desfalecido. O Super Aprendiz sorria de canto de boca quando repentinamente foi surpreendido por dois Desordeiros e dois Arruaceiros a sua volta.

- É agora! - gritou Crono - Prendam-no!

De uma distância segura, os quatro usaram ao mesmo tempo a habilidade Confinamento, revezando-se no ciclo para renovar.

- Paladinos e Lordes, retirem os feridos de lá! Professores, Sacerdotes e Sumo Sacerdotes, tomem suas posições. Atiradores de Elite e Criadores, preparem-se! Quem puder atacar a uma distância segura, alinhem-se atrás dos Arruaceiros e Desordeiros! Vamos seguir o plano!

Todos seguiram a ordem dada pelo Atirador de Elite. Substratae estava ao seu lado, tomando nota de tudo que acontecia. O primeiro a ser resgatado foi Anci, seguido por Rogue, Tremere e Leafar. O Guardião prestou os primeiros socorros aos quatro e percebeu o velho homem tentar dizer algo a ele. O Sumo Sacerdote sussurrava algo, o que obrigou o GM a abaixar e chegar muito próximo com o ouvido para poder entender. Para surpresa de Crono, Substratae abandonou seu posto sem dar nenhuma explicação, teleportando-se.

O Elfo xingou alto e olhou para as quatro pessoas deitadas a sua frente. O primeiro a se recuperar foi Leafar, que se levantou com dificuldade.

- E aí, Crono, novidades? - disse o Lorde, apoiando-se a uma parede próxima.

- Estamos tentando uma estratégia diferente. Os Arruaceiros e Desordeiros estão mantendo o garoto parado, dois Sumo Sacerdotes mantém ele em silêncio e vamos iniciar um ataque a distância.

- E isso vai dar certo?

- Não sei. Mas no momento foi a única coisa que pude pensar.

Leafar sorriu e pousou uma das mãos no ombro de Crono.

- Parece que você ainda é Guardião, sabia?

- Só quero proteger meus amigos. Só isso. - respondeu com um sorriso - Agora vamos ver se isso vai ser o suficiente.

Com um fino assobio o Elfo chamou a atenção de Kyrie, que estava na linha de frente e era um dos que mantinha Ryu silenciado. Pepperoni estava ao seu lado, concentrado. O Capitão do Reino de Rune-Midgard deu um sinal e uma reação em cadeia se iniciou: Dynamo e Pinguino mantinham sua Redenção ativa, caso o pequeno garoto conseguisse tocar em um dos quatro a frente, Beatrix mantinha a Energia Espiritual de Kaishyn, Varal, Enishi e Barth sempre cheias, Mark Darcy tocava um Poema de Bragi próximo a Professora e aos Sumos Sacerdotes, aliviando sua tensão, o que ajudava na conjuração de suas habilidades. De longe se via inúmeras pessoas: De Disappers a Bordel, de Moondrake a Charnel, todos tomando uma distância segura atrás do quarteto que mantinha o Super Aprendiz ocupado e parado. O Super Aprendiz se debatia, mas não conseguia acertar nenhum dos seus inimigos daquela distância. Seu olhar começou a demonstrar medo e agonia. Até que o silêncio tomou conta do local e podia-se ouvir o pequeno rangir de algumas armaduras e a respiração pesada dos menos experientes. Com um forte grito iniciou-se o que seria o grande ataque. Atiradores de Elite usavam sequências de Rajadas de Flechas, Criadores arremessavam inúmeras Bombas Ácidas, Monges e Mestres enviavam suas esferas espirituais, Algozes e Mercenários açoitavam com Tocaia, Arquimagos invocavam suas melhores habilidades. O chão começou a ruir, tamanha era a quantidade de ataques que atingiam Ryu, que se mantinha forte, com as mãos a frente do rosto mas em pé, parecendo aguardar apenas uma oportunidade.

Um segundo assobio, desta vez mais longo, foi ouvido. Kyrie deu um sinal para Rasckaar, que colocou seu cajado a frente do corpo e pareceu entrar em um estado de animação suspensa. Seus olhos ficaram vazios por alguns instantes e momentos depois ele começou a dizer algumas palavras:

- Nome: Ryu Owl, Raça: Humanoide, Elemento: Sombrio, Tamanho: Pequeno, Pontos de Vida Restantes: 54.376.991.

Repentinamente algumas pessoas paralisaram. Incrédulo, o Sumo Sacerdote repetiu o sinal para o Arquimago que repetiu sua habilidade.

- Nome: Ryu Owl, Raça: Humanoide, Elemento: Sombrio, Tamanho: Pequeno, Pontos de Vida Restantes: 49.973.027.

- Certo, pessoal! Continuem atacando com tudo que vocês tem! Ele está sofrendo bastante! - gritou Kyrie em meio a todos os aliados.

Era um show de luzes que mais pareciam fogos de artifício. A pequena cratera que se formou já estava próxima aos Arruaceiros e Desordeiros. Os criadores tiveram que se aproximar um pouco para continuar atirando suas bombas, o que parecia ser o ataque mais eficiente. Crono e Leafar observavam apreensivos aquela cena quando um estampido chamou sua atenção. Substratae voltara e parecia estar radiante. De trás dele surgiram outras duas figuras: uma mulher baixa, de cabelos e vestes brancos, que andava apoiada em seu cajado e um Arquimago louro, de pince-nez fronte a face. O sorriso do GM parecia não poder ser contido de forma alguma quando ele ajudou a Espiritualista a se aproximar do campo de batalha.

- Quem é ela? - disse o elfo sem entender.

- Alguém que pode fazer a diferença. - respondeu Anci, levantando-se com a ajuda de Leonard - Como vai, amigo Arquimago?

- Vim tirar minhas conclusões, mas isso me parece estranho.

- Estarmos com o Super Aprendiz sob controle parece estranho? - disse Crono rapidamente - o que pode dar errado a não ser vencermos ele?

- Estamos esquecendo algo, deixamos passar um detalhe, um pequeno detalhe que pode ser o fator decisivo no sucesso dessa missão. - completou o Sumo Sacerdote.

- É por isso que a Espiritualista está aqui, não é pai? Para aumentar os poderes de todos? - indagou Leafar.

Enquanto os quatro discutiam, Substratae se aproximava do amontoado de guerreiros que castigavam Ryu. Maria Rita fez um sinal para pararem e pareceu relaxar o corpo. Uma aura azul emanou de seu corpo e alguns dos aventureiros ganharam essa aura também. Todos os Algozes e Mercenários, Arruaceiros, Bruxos e Arquimagos, Sacerdotes e Sumo Sacerdotes e não menos importante, o Mestre Ferreiro. Logo em seguida ela caiu nos braços do GM, parecendo sussurrar em seu ouvido. Substratae balançava a cabeça positivamente, parecendo concordar com o que ela dizia.

Por alguns instante todos pareceram confusos, mas um homem ali era capaz de declamar o que cada um poderia fazer, e assim o fez.

- Por favor, todos que estiverem enxergando em azul, preciso de sua atenção! - disse Absoluto, tentando dizer da forma mais calma possível - O que essa mulher fez foi aprimorar uma de nossas habilidades. Algozes, suas Lâminas Destruidoras tem o dobro de poder. Arruaceiros, nada pode retirar os aprimoramentos de vocês, além dos Desordeiros poderem andar mais rapidamente no estado de Espreitar e vocês se sentirão mais fortes após algum tempo. Bruxos e Arquimagos, vocês não precisam de gemas para usar habilidades que as necessitam e Sacerdotes e Sumo Sacerdotes, sua Luz Divina tem cinco vezes mais poder, mas seu poder espiritual será gasto cinco vezes mais rápido. Eu posso aumentar a velocidade de ataque de todos próximos a mim, então vamos nos concentrar em acabar com esse garoto.

Kyrie não acreditou no que ouviu. Sua Luz Divina já tinha um grande poder de ataque e agora ela tinha cinco vezes mais forte. Empolgado com a notícia pediu para que todos, sem exceção, atacassem o inimigo. Os Bruxos e Arquimagos encheram a sala de Escudos Mágicos, inclusive próximo ao Super Aprendiz. Absoluto fez um sinal de mão e todos que carregavam armas corpo sentiram suas armas ficarem mais leves. Quando os ataques se iniciaram Ryu não esboçou reação, apenas se protegendo mais, recebendo todos aqueles ataques poderosos diretamente.

- Rasckaar! Como estamos? Apenas pontos de vida, por favor!- disse o Capitão Kyrie.

O Arquimago conjurou rapidamente sua habilidade e limitou-se a informar apenas o pedido.

- Nome: Ryu Owl, Pontos de Vida Restantes: 1.529.671.

- Vamos, pessoal! Falta pouco! Ataquem com tudo que tiverem!

O grande grupo já estava esgotado. Paty e Nadav, que tomaram o lugar de Kyrie e Pepperoni, já estavam exaustos. Os Criadores reclamavam que seus braços já não tinham mais forças para arremessar mais bombas. Os aventureiros que antes estavam de fora por não poder chegar perto do inimigo agora o atacava com todo fulgor, sendo o maior dano que estavam causando. Os Arquimagos tomaram o lugar de suporte, conjurando Escudos Mágicos sempre que um era quebrado. Alguns Lordes ousaram usar Frenesi e atacavam incessantemente.

Por baixo dos braços, Ryu sorria. Parecia estar aguardando algo em silêncio. Ele sussurrava para si mesmo algumas palavras e nem se deu o trabalho de olhar quem lhe estava atacando. Não importava. "Todos vão pagar", pensava.

Próximo dali, no alta da escadaria, Leonard, Leafar, Anci e Crono viam o desenrolar da luta.  O Arquimago e o Sumo Sacerdote se entreolhavam, parecendo prever que algo iria acontecer, mas estava escapando aos seus dedos o que era. Repentinamente Leonard pareceu em choque, assustando as pessoas ao seu redor.

- Crono, dê um sinal para que parem de atacar agora!

- Como? O Senhor quer que parem de atacar? Mas estamos tão perto de derrotá-lo!

- Sim, eu sei, mas não há tempo para explicar. Apenas faça-os parar!

- Creio que seja um pouco tarde, amigo. - disse Anci, chamando a atenção para o local da batalha.

Todos abriam caminho para Seraos, que estava com a aura azul revestindo seu corpo. A Infiltradora em sua mão estava firme e o olhar buscava a face do Super Aprendiz. Descrente, Leonard gritou para tentar impedir o ataque. Em vão. Silenciosamente, Seraos atacou com a habilidade Lâminas Destruidoras e quando sua katar atingiu Ryu pela última vez houve uma explosão. Os mais próximos foram arremessados longe e os mais afastados, incrédulos, sentiam a força do golpe, dobrando de dor.

Crono, Leafar e Anci demonstravam horror em suas faces. Leonard lamentou, retirando seu pince-nez e limpando-o.

- O poder oculto dos Super Aprendizes. - disse calmamente - Esse garoto é excepcional. Conseguiu dar mais força que um Super Aprendiz comum conseguiria fazer.

- Poder Oculto? - perguntou Crono, não entendendo do que o Arquimago falava - Isso não é possível! É apenas uma lenda.

- Ah! Não é não, Crono. - Rebateu Anci - A prova está na nossa frente, nesse exato momento.

- O que vamos fazer agora? - perguntou o Elfo.

- Vamos? Nossa última esperança está naquela mulher que está apoiada no Guardião de Midgard. - disse Anci.

- Isso se o moleque não acabar com ela primeiro.

O pequeno Ryu ria de seu feito. Passava por entre a multidão caída e pelos que tentavam se levantar com o auxílio dos Sumo Sacerdotes. Não se importava com ninguém, andando diretamente para alcançar Seraos que gemia ferido. Quando estava a dois passos do seu alvo, Substratae e Maria Rita se entre puseram, bloqueando seu caminho.

- Saiam. - disse o garoto friamente.

- Criança, tenho apenas um recado para você. - disse a Espiritualista, deixando o apoio do GM e andando com dificuldade - Só peço para ouví-lo e depois pode fazer o que quiser comigo.

- Hmmm... ousado. Mas o que eu ganho com isso?

- Paz interior, criança. Não é isso que você tanto procura? Não é por isso que você quer o abraço da sua mãe?

Ryu recuou. Além de Seraos, ninguém sabia sobre isso. A Anciã sorriu, aproximando-se lentamente.

- Posso lhe dar o recado, garoto? - perguntou Maria Rita com um sorriso cortez.

- Você conseguiu me deixar curioso. Diga logo! Eu quero saber o que é!

- Claro, criança. Mas preciso que seu pai esteja próximo também.

- Que seja! Faça como quiser, mas eu quero ouvir o recado logo! - disse o Super Aprendiz afoito.

A mulher baixou a cabeça por um instante e, alguns segundos depois, Anci chegava, andando calmamente.

- Pronto! Ele já está aqui. Desembucha, mulher.

- Claro, criança, claro. - disse sorrindo - Substratae, você tem certeza?

- Sim. Meu dever como Guardião de Midgard é manter a paz. Se eu tiver que dar minha vida por isso, que assim seja.

Maria Rita aproximou-se do GM e pediu suas mãos e as segurou firme. Substratae brilhou por um instante e caiu. A Espiritualista que antes andava com dificuldades pareceu outra pessoa. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que era impossível ver a cor de suas íris. Ela começou uma conjuração rápida e ao terminá-la, fez o local onde estava escurecer. Anci, Seraos e Ryu sentiram o ambiente mais fresco e a tranquilidade tomou conta dali. O Super Aprendiz não tinha mais sua aura rodeando seu corpo e o Mercenário se levantara sem dificuldades e sem ferimentos, como se eles estivessem sumido.

- O que é isso? Que você fez, mulher?

- Isso se chama Salão Espiritual. Normalmente esse local é acessado apenas por espíritos fortes e em condições especiais. É aqui que o treinamento inicial dos Espiritualistas acontece.

- E como você conseguiu fazer isso, Maria Rita? - indagou Anci - Até onde sei, só se pode fazer isso em alguns locais especial e com algum sacrifício.

- É verdade, velho amigo. Para que eu trouxesse vocês três aqui foi necessário uma quantidade muito grande de energia vital. Eu já estava disposta a sacrificar minha vida para trazer apenas o garoto para cá, mas precisávamos trazer você e Seraos também.

- Então Substratae... - relutou Seraos.

- Se foi. Assim como também irei após dar-lhes o recado.

- Então fala logo que isso já tá me deixando nervoso! - gritou Ryu.

- Tudo bem, criança. Mas não sou eu mesma que farei isso. Sou apenas uma intermediária. - disse juntando novamente as mãos e conjurando uma habilidade ancestral.

Aquilo fez com que uma coluna de luz se formasse em frente aos três ali presentes. A silhueta feminina se formou, acompanhada do som de passos firmes. Anci estava descrente no que via, enquanto Seraos começou a chorar. Ryu sorria, indo em direção a Caçadora que logo reconheceu.

- Mãe? Mamãe!!! - gritava o Super Aprendiz enlouquecido.

- Pare. Você não é meu filho. - disse a mulher friamente, passando pela criança, seguindo para onde Anci e Seraos estavam.

- Por quê? Eu sou parte dele! - disse apontando para o Mercenário - Somos a mesma pessoa.

- Como vocês estão? - disse Andry, ignorando o que a criança falava.

- Com saudades. - respondeu Anci com um sorriso na face.

- Muita saudade. - complementou Seraos, secando as lágrimas.

- Eu também estou, meus amores. Infelizmente não vim aqui para contar sobre minha nova vida no Vallhala, mas para acabar com um impasse. - disse virando e abaixando-se, ficando na altura de Ryu - Me diga, criança, porque fez tudo isso?

- Porque você me abandonou e eu queria ter a chance de te dar um último abraço. - respondeu de pronto - Você não se despediu de mim. Você simplesmente foi embora.

- Você está errado. - disse Andry se levantando, olhando diretamente para Seraos - Eu voltei, usei minha habilidade de mãe e te chamei para perto de mim enquanto você dormia, me desculpei e te dei o maior abraço que uma mãe pode dar em um filho. - complementou com um sorriso.

- Não pode ser. Não tem como! Eu não senti nada disso, eu só sinto a frustração de você ter me abandonado.

- Mas você e Seraos não são as mesmas pessoas? Você deveria sentir tudo que ele sente, não?

- Você se despediu dele? É por isso que eu vi aquela cena repetidamente na cabeça dele?

Andry balançou a cabeça positivamente aproximando-se novamente do garoto. Ele parecia estar eufórico com o que ela disse.

- Você quer sentir o abraço que dei em você?

- Sim! É tudo que mais quero!

- Então volte a ser um só. É a melhor forma. - disse séria.

- Mas o que vai acontecer com você?

- Voltarei para o Vallhala, que é meu lugar. Aguardarei vocês lá.

- Eu posso demorar um pouco, Amor. - disse Anci, rindo.

- Tudo bem. Não tem pressa. - retrucou Andry, jogando um beijo para seu marido. - Adeus, meu filho.

A Caçadora olhou para Maria Rita e fez um sinal com a cabeça, indicando que estava pronta para voltar ao seu lugar. Com um movimento de mão a Espiritualista criou uma fonte de luz, que puxou suavemente Andry para cima. Ryu se desesperou, tentando alcançá-la, mas foi segurado por Anci. A criança começou a chorar, vendo Andry sumir por completo.

Após a luz se desfazer totalmente, a mulher em roupas brancas aproximou-se dos três e baixou-se para falar com o jovem Super Aprendiz.

- E então, Ryu. Como vai ser? - indagou a Espiritualista.

- Como faço para voltar para o corpo do Seraos? - disse de cabeça baixa.

- Pode deixar isso comigo. - disse alegremente.

A anciã espalmou as mãos frente ao garoto e começou a sussurrar. Com um movimento de mão o deixou mais translúcido que já era, quase que sumindo, mas com uma aura de energia que cobria todo o seu corpo. Seraos também o teve os mesmos efeitos, ficando igual ao Super Aprendiz. Maria Rita colocou uma mão frente à outra e as bateu. O rapaz mais alto se chocou com a criança tal qual o movimento dos membros dela, gerando assim um forte ponto de luz, que obrigou Anci a cobrir os olhos. Quando o clarão se desfez, apenas o Mercenário estava ali, em pé e com um brilho nos olhos que nem mesmo quando era criança possuía.

- Obrigado, mãe. - sussurrou para si.

- Missão completa, amigo. - disse a Espiritualista.

- Claro. Então acho que é adeus, certo?

- Sim. Estou velha e cansada. Não entendo como você agüenta.

- Nem tente entender, minha cara, nem tente.

E com um sorriso que ia de orelha a orelha, Maria Rita sumiu, fazendo com que a luz voltasse ao local onde eles estavam. Os corpos de Substratae e Maria Rita estavam próximos a eles e Ryu havia sumido. Anci olhou para Seraos assustado e o Mercenário não entendia porque era o centro das atenções de todos. Ao baixar a cabeça percebeu que uma aura azul rodeava seu corpo, sinal que alcançara o nível máximo de poder.

O Mercenário não acreditou na luz que rodeava seu corpo. Veio a sua cabeça as lembranças amargas de sua infância como Super Aprendiz mas também os risos e afagos esquecidos em uma mente separada dele. Pensou que talvez pudesse utilizar as habilidades do seu alter-ego, mas decidiu ignorar aquele filete de pensamento. Seraos olhou para frente e sorriu. Seu olhar, vívido e gentil, via desde o inexperiente Kaishyn que tentava se manter ereto sem sucesso até Anci, seu pai, que comemorava feliz ao lado de Leonard Belmont. Leafar parabenizava Crono e Kyrie. Percebeu então que duas pessoas vestidas de branco permaneciam inertes no chão. Ele se aproximou deles, se abaixou e fez um afago nas madeixas brancas de Maria Rita.

- Obrigado. - sussurrou o jovem sorrindo - Acabou! Vamos embora!


 

Morroc
Bar (nem tão) Secreto dos Mercenários

Há muito tempo não tinham tantas pessoas naquele local. A festa já estava rolando há algumas horas e muitas pessoas já estavam bêbadas. O mais estranho era que o rapaz que foi o motivo para tal reunião estava sentado no balcão, quieto. Rogue, ainda com uma bandagem na cabeça, ficou curioso e aproximou-se do quieto Mercenário. O Desordeiro puxou uma cadeira e sentou-se próximo do rapaz.

- Cê tá legal, cara? - disse o homem de cabelos espetados.

- Mais ou menos. - respondeu Seraos sem olhar para o lado - fazia muito tempo que eu não tinha essa sensação de estar... completo.

- Pois é, cara. Isso se chama "viver", sabe? - completou Rogue e deu um grande gole em sua bebida, voltando à comemoração atrás dele.

Seraos tentava entender tudo que acontecia, mas foi muita coisa em tão pouco tempo. Observou as pessoas que estavam atrás dele por um instante e reparou em seu pai por um instante. Ele parecia mais aliviado e feliz que de costume. Buscou outra cena e percebeu que Crono contava os detalhes da missão a Leafar, Kyrie, Barth, Paty, Nadav e outros membros da Ordem do Dragão. Ao lado deles, Charnel, Afrodithe, Shark, Otacon e T confraternizavam com Moondrake, Tremere, Ana Frost, Ryu-Kayshin e outros membros da Camarilla. A TNT comandava a festa que parecia nunca acabar e Inside já estava para lá de Veins, deixando Perséfonne e Frokinhu muito envergonhados com sua performance de Odalisca reumática.

O rapaz de cabelos azuis pensou por um instante, olhou para sua bebida e a empurrou. Reparou em sua aura e se sentiu enojado. Sabia a coisa certa a fazer e levantou-se, saindo rapidamente pela porta, subindo as escadas e seguindo em direção a saída sul da cidade. Andou pelo deserto e foi até a Guilda dos Mercenários, refletindo sobre sua vida. De quando decidiu se tornar um demônio das sombras para ajudar seu pai a encontrar sua mãe e trazer conforto ao coração de seu velho. Quando decidiu por si mesmo encobrir que sua mãe havia morrido. De quando foi tentar resgatar parte do seu passado, enfrentar suas memórias perdidas com a ajuda de um grande exército, sob a perda de duas pessoas que se sacrificaram, Maria Rita e Substratae, e a ajuda de sua mãe, finalmente venceu. Quando o jovem se deparou, já estava subindo as escadas do singular edifício que fica em meio à tempestade do deserto. Foi açoitado pela areia até o momento que adentrou pelas largas portas da guilda e percebeu que todos os seus instrutores o aguardavam, inclusive seu tutor, Kidd. O Mestre da Guilda estava no final do corredor, sério. Seraos passou por todos os olhares e estancou na frente daquele homem de aparência tão sofrida, de barba e roupas surradas e olhou naqueles olhos azuis tristes, dizendo apenas três palavras:

 


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Comentários (3)
  • Blue Muppet
    Muito bom. ^^
  • Fizban
    Parabéns Seraos, um final realmente emocionante.

    Quando que a jornada do Seraos recomeça?

    E o Rouge vai se aposentar?
  • SeRaoS
    Valeus, Fizban. A Saga de Seraos continua em breve, a do Rogue ainda é incerta,
    mas ele faz algumas aparições em uma outra fic. Estou planejando duas fics,
    "Filho de Loki" e "Gênesis". Mas fiquem atentos às outras duas
    fics que serão resmasterizadas. =D
  • Anônimo  - *_Dark_Shadow_*
    Sem palras para descrever!

    Mas posso dizer q valeu a espera! E que espera ^_^



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  • Apreda00 : eba quebrei fone
  • Killik07 : por % da na mesma que 0 a 10
  • Apreda00 : e bom *
  • Killik07 : aqui é de 0 a 10
  • Apreda00 : Por % que e om
  • Apreda00 : aqui e de A ate E media C
  • Mihashi : aki é 0 a 10 com média 7, vai veno...
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  • Killik07 : que tosco, aqui é A com pedrinhas de diamante
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  • Apreda00 : nossa
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  • Mihashi : tire A+ u.u'
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  • Mihashi : se eu usar essa mentalidad,e nao vou nunca mais ' - '
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