Hora Zero - Capítulo 6

Sex, 10 de Setembro de 2010 12:35   -   Escrito por Rafa

Sailorcheer encontra sua guilda, os Guerreiros Rúnicos, e enfretam o poderoso Mestre-Ferreiro Hrymm. Namu e Wyla renegam aos postos de Guardiões e reagem ao ver a batalha de Leafar e Marion contra o inimigo.

Hora Zero

Capítulo VI – O deus do trovão

23h – Arredores do portão sul de Morroc

Dezenas de corpos estavam caídos nas areias quentes do deserto. De pé, absoluto, um Mestre-Ferreiro, ostentando um belíssimo martelo, observava Sailorcheer e o espadachim, Fei, ao lado dela. A areia quase pedia licença antes de tocar suas botas, que pareciam forjadas pelo próprio Odin. Do mesmo modo, dois cintos fabulosos estavam em sua cintura, reluzindo a luz da lua.

- Hrymm... – disse a mercenária, estupefata.

- Viram? Ela conhece o meu nome!

Sailor olhou ao redor. Ficou arrepiada com a cena: todos os GMs cercavam o local daquela batalha. Viu Namu, Oromë, Wyla, Teri, Keyji, Fenrir e tantos outros. Sorriu, segurando firme os katares.

- Tá perdido, Hrymm! Ninguém pode derrotar tantos GMs juntos!

Sentiu então a mão de Fei em seu ombro.

- Não tão rápido, querida. Os GMs não estão fazendo nada. – disse ele.

- C-c-como assim? – a mercenária olhou firme para o marido.

- Oromë tirou Hrymm de Geffen e mandou-o para cá. Viemos junto, mas só restei eu. E agora você.

Hrymm olhava o casal, impassível. Seu cabelo curto mal se mexia com o vento. Tinha o olhar de moleque. De fato, era bem novo. Tinha conquistado o poder ainda como adolescente, e sempre se gabou disso, mesmo quando era vivo, antes da Ruína de Rune-Midgard.



- Vocês vão nos ajudar, não vão? – Sailor olhou assustada para os GMs. Notou Wyla apertar forte os punhos, mas continuar calada. Namu fechou os olhos, observando quieto.

- Eles não farão nada, tolos! – Hrymm andou devagar na direção dos dois – Eles não vão me impedir! São os seres mais poderosos do nosso mundo, mas possuem a maldição de jamais interferir! E eles não podem fazer nada quanto ao fato de eu matar vocês dois!

Fei e Sailor se olharam rapidamente, de canto de olhos. Com um sorriso de cumplicidade, foram para cima do Mestre-Ferreiro. Fei, segurando firme uma espada, pulou. Seu cabelo azul, preso em um rabo-de-cavalo, acompanhou seu movimento, enquanto ele desferiu um golpe frontal. O toque da lâmina em Hrymm causou um brilho. Sailor, a essa altura, já tinha se posicionado atrás do homem. Com uma velocidade espantosa, liberou todo o poder de suas lâminas destruidoras. Hrymm foi arremessado alguns metros para a frente e caiu.

- Acho que o Metta já tinha ferido ele um pouco! – comemorou Fei, referindo-se ao Mestre que tombara por último no combate prévio.

- Nossa, eu juro que achei que seria mais dif...

A frase da mercenária não terminou. Hrymm se levantou, gargalhando. Seu corpo ficou vermelho, e seu martelo estava fumegante. Antes que Fei conseguisse piscar, o Mestre-Ferreiro já tinha passado por ele. Tudo que o espadachim viu foi a amada sendo atingida fortemente. Restos do que foram os Katares dela caíram em seus pés, assim como a pequena adaga que ela trazia escondida. Súbito, o martelo foi batido forte, de cima para baixo. Uma pancada fez o chão tremer. Um novo ataque ocasionou na queda de algumas moedas dos bolsos de Hrymm. Sailor quicou na areia duas vezes antes de cair imóvel no deserto. O Mestre-Ferreiro mal se virou e notou Fei já em cima dele. O espadachim foi extremamente rápido, e com a espada acertara um dos cintos do inimigo, tirando uma lasca. Imediatamente, Hrymm segurou Fei pela cabeça, com apenas uma das mãos, erguendo-o do chão.

- Está louco, espadachim? Tem noção do que tentou fazer? Queria estragar um dos lendários Megingjard?

Com habilidade, Fei puxou a adaga que Sailor derrubara previamente e, em um golpe rápido e preciso, atingiu forte o braço de Hrymm. Surpreso, o Mestre-Ferreiro deu um passo para trás.

- Doeu? – disse Fei, pegando a espada caída – Que coisa... não senti nada!

- Ah, mas eu garanto que vai sentir. Você e todos os seus amigos hão de pagar por me atrapalhar assim!

Sailor, que se levantava com dificuldade, andou até o lado de Fei. Deu uma das mãos para ele. Seu rosto estava sangrando. Sua cabeça já não ostentava mais as Asas de Anjo. Ele segurou firme a mão dela. Cada um empunhava suas armas. Hrymm estalou o pescoço. Olhou sério para Namu, o líder dos GMs.

- Observe o que faço com estes pobres coitados. Dêem adeus a Rune-Midgard, otários.

*****
23h30 – Prontera

As pessoas começaram a se sentir estranhas. Era como se estivessem vazias. Um grande mal parecia abater-se sobre todos. Os mercadores começaram a tombar no chão. Os passantes, sem entender nada, também caíram. A cidade ficou silenciosa. Não se ouviu um ruído em Prontera.

*****

23h44 – Labirinto da Floresta

O silêncio estava destruindo os dois sobreviventes. Leafar e Marion estavam sentados, olhando indignados os corpos de Aislinn e Jô Mungandr.

- Tenta de novo, Marion... – murmurou Leafar, com os olhos ainda nublados de tanto chorar.

A Suma Sacerdotisa se levantou. Ela sabia que não funcionaria. Sabia que não teria efeito algum. Mas tirou uma gema azul do bolso da roupa. Concentrou-se na Caçadora caída. Leafar, segurando a mão gélida, ficou esperando. Ouviu Marion sussurrar “Ressuscitar”, mas nada aconteceu. O Lorde abaixou a cabeça, de olhos fechados.

- Leafar, eu já expliquei e você SABE disso. Eu só posso trazer “de volta” uma pessoa nocauteada ou ferida gravemente. O fato é que ela precisa ter um pouco da chama da vida, para eu reacender com a minha magia divina. Eu não posso CRIAR essa chama da vida. Elas estão definitivamente m...

Ela parou de falar. Não havia sentido continuar, pois eles sabiam. As duas estavam mortas. Finalmente Leafar tirou sua capa. Abriu-a no chão e deitou o corpo de Aislinn nela. Enrolou-a então, como se fosse uma mortalha. Sentiu um frio na espinha, e virou-se, junto de Marion. Notaram uma mulher trajando um vestido negro, com um corte generoso, exibindo suas belas pernas. Seu cabelo era tão escuro quanto o vestido, e era dona de belos lábios finos.

- Marion. Leafar. – disse ela, séria.

- O que é que você está fazendo aqui, Rainha dos Mortos? – um pouco assustada, a Suma Sacerdotisa deu alguns passos para trás.

- Não sentiram a onda de energia que se espalhou a partir de Morroc?

Os dois se entreolharam. Não responderam, e voltaram a olhar a Rainha dos Mortos, curiosos. Ela balançou a cabeça, complacente.

- Tolice a minha. Este Labirinto está acima de muitas das leis deste mundo. Bem, vocês deram sorte. Ou azar. São os dois únicos combatentes de pé em toda Rune-Midgard.

Leafar se levantou, com os olhos arregalados.

- Todos os outros estão mortos?

- Pro azar deles, não. Mas o ataque de Hrymm foi tão forte que causou esta onda de energia, que tirou de combate todos que estavam em todas as cidades e lugares pertencentes ao reino de vocês.

Em silêncio, a Rainha andou e passou pela dupla. Olhou para os restos de Jestr. Observou então, quieta, os cadáveres de Aislinn e Jô Mungandr.

- Engraçado como a energia que irradia do amor é semelhante à energia irradiada pela loucura – disse, olhando as duas mulheres – Ela lutou por amor até o fim. E teria lutado mais, se tivesse continuado viva.

- Aislinn era uma boa combatente e companheira – disse Marion.

- Eu falava da Paladina – a Rainha deu um breve olhar para Leafar – Sinto muito por isso, Lorde.

Com um movimento de mão, a Rainha dos Mortos fez com que as duas espadas caídas – a Muramasa e a Katzbalger – voassem e caíssem aos pés de Leafar.

- E agora? Vocês dois ficarão aqui velando eternamente estes corpos, ou vão enfrentar seu destino?

Marion foi até Leafar e segurou-o pelos ombros. Olhou-o diretamente nos olhos.

- Leafar... se não lutarmos, mais gente vai sofrer o que sofremos aqui. Você quer que outros sintam a dor da perda que você está sentindo?

Os olhos dele, vermelhos de choro, buscaram então a Rainha dos Mortos.

- Qual o plano? – disse ele, com a voz claramente amargurada.

- Eu mando vocês para Morroc, para o local da batalha. Eu posso ver em seus olhos a preocupação com estes corpos. Não se preocupem, pois há apenas uma alma, das três, que posso reclamar. E se fazem tanta questão, eu mando as duas com vocês. Se por ventura sobreviverem, podem fazer-lhes um enterro digno. Caso contrário, já compartilham a mesma cova no meio do deserto... isso SE sobrar algo de vocês, depois que lutarem contra Hrymm.

- Você não vem conosco? – agora foi Marion quem perguntou, apertando as mãos, nervosa.

- Não. Tenho uma pendência na Ilha Tetra. O Rei precisa voltar ao seu estado normal; é uma questão de honra para mim. Além disso, talvez a sua única chance real de vitória dependa do que acontecer lá.

Leafar pegou o Elmo do Orc Herói caído no chão e ajeitou-o na cabeça. Marion sorriu, e começou a lançar suas magias nele. Ele prendeu a Muramasa na bainha e segurou firme a Katzbalger.

- Mande-nos para Morroc. Isso acaba hoje.

- Ah, acaba sim, Leafar. É inevitável – pela primeira vez desde que começaram a conversar, a Rainha deu seu típico sorriso cheio de malícia. Nem esperou eles dizerem mais nada e, com um estalo, viu eles desaparecerem. Porém, assim que eles sumiram, junto com os corpos das duas mulheres, seu sorriso também se foi.

- Espero que resistam tempo o suficiente – falou sozinha, enquanto olhava para os restos de Jestr.

*****

0h00 – Arredores do portão sul de Morroc

A brisa gelada da noite do deserto recebeu Leafar e Marion. Atrás dos dois, os corpos da Caçadora e de Jô também surgiram, como prometera a Rainha dos Mortos. Assim como acontecera com Sailor, ficaram estupefatos ao notar a presença de todos os GMs, rodeando Hrymm.

- Ah, então é por isso que não consigo sair daqui! Ainda tem gente querendo pagar de herói!

- Hrymm! – Leafar segurou firme a espada.

- Mas que mundo pequeno! O General Leafar e sua amiguinha inconveniente! Sentiram saudades? Não os vejo desde a invasão!

- Morra, monstro! – Leafar tomou a frente de Marion, apontando a espada para o Mestre Ferreiro – Você não pertence a este mundo*!

- Rá! Não foi pelas minhas mãos que fui revivido! Eu fui chamado aqui por HUMANOS, que desejavam me pagar tributo.

- Tributo?!? Você rouba as almas dos homens e faz deles seus escravos!

- Talvez o mesmo possa ser dito de todas as guildas e seus líderes...

- Suas palavras são vazias como a sua alma! A humanidade não precisa de um salvador como você!

- Humanidade, é? E o que é um homem? – Hrymm deu uma rápida e curta risada – Uma pequena pilha miserável de segredos! Mas chega de papo! Por que não vem pra cima?

Novamente, Leafar deu um gole na garrafa, sorvendo o líquido vermelho. Sua coloração mudou para avermelhada e, em seguida, passou para dourada. A lâmina da Katzbalger brilhou duas vezes, ficando translúcida. Sob as bênçãos de Marion, avançou contra o Mestre-Ferreiro.

O martelo dele, sendo segurado firme, de ponta-cabeça, aparou cuidadosamente os rápidos ataques. Em um jogo de pernas rápido, girou por trás de Leafar e deu-lhe um chute nas costas, fazendo-o cair. No mesmo movimento, arremessou sua arma na Suma Sacerdotisa. Marion não conseguiu dizer todo o “Lex Divina”, voando alguns metros na areia do deserto.

Aproveitando o momento, Leafar se levantou e bateu forte contra o pescoço de Hrymm. Normalmente o Lorde teria atacado ele nas pernas ou algum outro ponto não-letal. Porém, as perdas recentes tinham tirado-lhe qualquer vontade de pedir para que o inimigo se rendesse ou colaborasse. Tudo que queria era terminar com a vida de Hrymm ali, para finalmente desabar em sofrimento. Mas não teve essa oportunidade. Ficou pasmo ao ver que o Mestre-Ferreiro segurara sua espada pela lâmina, com a mão nua.

Marion, por outro lado, sentia-se grata por ter utilizado seu sagrado Assumptio no começo da batalha. Ficou imaginando que a dor seria pior se tivesse sentido tamanha força em sua plenitude. Contemplou admirada a arma que a acertara, caída na areia. Passou os dedos na superfície dela e arregalou os olhos.

- Por Odin... este é Mjolnir! O martelo do Deus do Trovão!

Antes que pudesse ter alguma outra reação, viu a arma voar de volta para a mão livre de Hrymm, que ainda segurava com a outra a espada de Leafar.

- Diz pra mim, Leafar – falou ele, com os olhos fechados e um sorriso no rosto, saboreando a surpresa do Lorde – O que vocês acreditam que podem fazer? Quantos mais eu terei que matar para que entendam que a única opção que têm é a rendição?

- Jamais vamos nos render, Hrymm. Nosso poder vai...

- “Nosso”? – O Mestre-Ferreiro interrompeu, ainda de olhos fechados – Seu e de Marion, você quer dizer, não? Porque os GMs ali não farão absolutamente NADA. Foi assim contra seus amigos, os Guerreiros Rúnicos. Uma guilda INTEIRA, Leafar. Dizimados. E seus preciosos GMs não fizeram nada.

O Lorde olhou para a linha de GMs que os rodeava. Buscou Namu, o líder.

- Isso não é verdade, é, Namu? – Leafar parecia desesperado – Vocês... vocês vão nos ajudar, não é?

Hrymm se desatou a rir. Leafar tentou puxar a espada, mas não conseguiu. Viu Marion voltando, andando devagar, enfraquecida com o impacto de Mjolnir.

- Namu! Oromë! – Leafar voltou a encarar Hrymm, tentando puxar em vão sua espada do aperto da mão dele.

- Quer tanto assim sua arma? – finalmente o Mestre-Ferreiro abriu os olhos – Pois eu digo que não!

Bateu então com o Mjolnir, estilhaçando a belíssima e larga lâmina da Katzbalger. Apenas a empunhadura e um toco do metal ficaram nas mãos de Leafar, ao mesmo tempo em que sua coloração voltou ao normal. Porém, a seguir, sentiu uma pancada que fez seu corpo inteiro tremer. Perdeu o controle de seus movimentos e ficou sem conseguir nem andar direito – tudo que ecoava em sua cabeça era um baque seco. Sua visão ficou debilitada. Apenas notou o vulto de Hrymm avançar contra o que parecia ser Marion. O vulto vermelho dela então tombou no chão.

Os olhos de Leafar se firmaram novamente. Já conseguia se mover. Viu a Suma Sacerdotisa caída na areia, desfalecida. Deu um breve suspiro de alívio ao notar o peito dela se movendo com a respiração. Procurou Hrymm com os olhos, mas não achou. Levou então a mão na empunhadura da Muramasa, presa na bainha das costas. Porém, sentiu o punho de Hrymm segurando sua mão; de algum modo, o Mestre-Ferreiro estava atrás dele.

- Conhece o significado da palavra “dor”, Leafar? – sussurrou ele, atrás do Lorde.

- Eu já apanhei muito nessa vida, acredite.

- Ah! Não tanto quanto irá apanhar agora, meu caro...

Com um movimento rápido, Hrymm arrancou a Muramasa, com bainha e tudo, das costas de Leafar, emendando-lhe um chute nas costas. Quebrou a espada com um golpe de perna, estilhaçando-a também. O Lorde se virou, apenas para tomar um ataque do martelo no rosto. O elmo do Orc Herói voou longe. Com uma gargalhada insana, o Mestre-Ferreiro atacava sem dó. Seus golpes foram, aos poucos, moendo a armadura metálica de Leafar. Primeiro, destruiu as braçadeiras. Os braços começaram a ficar com hematomas enquanto ele tentava debilmente aparar os ataques. Depois, as ombreiras foram despedaçadas. Mal conseguia levantar os braços, de tanta dor, quando foi atacado nas pernas. Caiu, e Hrymm, de pé, começou a bater no Lorde. Deu algumas dezenas de golpes em alta velocidade e largou o martelo no chão. Arrancou então a placa peitoral com as mãos nuas, erguendo-a acima da cabeça. Levantou-se e virou para os GMs, com o pedaço de armadura no alto, como se fosse um troféu. Deu alguns passos, ainda sorrindo.

- Não resta mais nenhum deles de pé! A vitória é m...

Hrymm foi interrompido. Sentiu uma mão puxar seu ombro, virando-o. A seguir, levou um murro na cara. Leafar, de pé, com o rosto inchado, tinha lhe acertado o golpe. Viu Marion, se arrastando para perto do Lorde, conjurando curas e bênçãos como podia.

- Mas que p**** é essa? – Hrymm, que largara o resto da armadura de Leafar, deu alguns passos para trás enquanto ia sendo atingido. O Lorde continuava atacando. Os golpes eram fortes, mas o que perturbava o Mestre-Ferreiro era que aqueles dois não entendiam que já tinham sido derrotados. Uma Suma Sacerdotisa exaurida e um Lorde sem equipamentos não eram absolutamente nada.

Marion invocou com sucesso sua Lex Divina no inimigo. Ele, porém, puxou um frasco com um líquido verde do bolso. Um único gole desfez o nó em sua garganta. Ele arremessou então o vidro na Suma Sacerdotisa, atingindo-a no rosto. Correu em sua direção para atacá-la, mas levou uma rasteira de Leafar. Sem perder tempo, o Lorde pulou em cima dele e começou a bater violentamente em seu rosto. Marion aproveitou e se jogou em cima dos braços dele, segurando para que Leafar pudesse bater.

O Mestre-Ferreiro, por sua vez, além de não estar se ferindo significativamente, começara a rir descontroladamente.

- Então é isso? Vocês dois querem brigar comigo? Querem se fazer de exemplo? Pois saibam que são idiotas! Dois idiotas!

Hrymm se levantou, ignorando completamente os ataques e o agarrão. Marion ficou pendurada em seus braços, enquanto Leafar caiu sentado na areia. Com a mão esquerda ele ergueu a Suma Sacerdotisa, encarando-a nos olhos.



- Sabe o que são os cintos que estou usando? São os Megingjard. Dois. Qualquer criança consegue demolir uma casa, de mãos nuas, usando UM deles. Imagine o poder que eles têm em mim!

Marion deu um tapa na cara de Hrymm. Ele sorriu e jogou-a para cima. Assim que ela caiu, atingindo a altura do rosto dele, ele bateu forte, um murro certeiro. A Suma Sacerdotisa foi arremessada nos pés da GM Wyla, que virou o rosto, de desgosto e dor.

- Oromë... – sussurrou a GM para o amigo ao lado. Ele, porém, olhava indignado para Hrymm, que agora avançava contra Leafar.

- Quer brincar de lutinha, Leafar? É isso? – Hrymm deu socos rápidos no rosto do Lorde, que tentava se segurar de pé – Acha que vou te dar o gosto de uma morte rápida?

O Mestre-Ferreiro bateu forte no rosto do Lorde, fazendo-o girar e quase cair. Leafar se segurou de pé, em pose de luta, com os punhos fechados e erguidos, mas claramente em situação precária.

- Não, Leafar. Você vai me ajudar a mostrar pra eles quem está no topo da cadeia alimentar!

Rindo, Hrymm começou a bater. Golpe atrás de golpe, murro atrás de murro, ele começou a massacrar Leafar. O Lorde tombou a primeira vez. Sentiu a textura dos grãos de areia arranhar seu rosto e a lateral de seu peito, já sem a proteção de seu tabbard da Cavalaria de Prontera. Abriu os olhos e viu os GMs. Fitou-os pedindo ajuda, mas notou que eles continuavam imóveis. Ergueu-se, no limite de suas forças. Foi para cima de Hrymm, que defendia sem o menor problema todos os ataques do Lorde, fraquíssimos.

- Namu, – Oromë, até então quieto, virou-se para seu líder – nós temos que ajudar eles!

- Nossa missão é apenas observar e orientar. Não podemos interferir nas lutas dos aventureiros de Rune-Midgard.

- Mas ele vai ser morto! – agora foi Wyla quem falou, desesperada.

- Mantenham-se em seus lugares.

Oromë e Wyla se viraram. Hrymm tinha voltado a atacar. Ele castigava Leafar com seus murros. Era quase possível ouvir as costelas do Lorde rachando com os ataques - que faziam a GM apertar os olhos pela dor que imaginava que o louro sentia. Com um olho fechado, roxo, Leafar tentava se defender como podia, mas estava tomando a pior surra de sua vida. Com um ataque direto no rosto, o Lorde tombou pela segunda vez, encontrando a areia do deserto, que invadiu sua boca.

- Vocês são um lixo! – Hrymm apontou para os GMs – Eu faço o que quiser com os seus aventureiros! Eu sou mais poderoso do que um deus! Nada pode me deter! Nad...

Todos se assustaram. Leafar, débil, estava de pé novamente e tinha dado um murro na boca de Hrymm. O Mestre-Ferreiro deu um passo para trás. Levou um dedo até a boca e passou-o na gengiva. Ao contemplá-lo, notou sangue. Seu punho ficou cerrado, encarando o Lorde ofegante – praticamente um cadáver animado – em sua frente.

- Você jamais se gabará de ter arrancado sangue de um deus, mortal! Jamais!

Hrymm puxou a mão para trás e bateu com toda sua força. Porém, ao mesmo tempo, ouviu-se um grito alto e determinado, um “Kyrie Eleison”. O golpe atingiu Leafar do mesmo jeito, mas, protegido pela magia, ele apenas tombou de costas. Hrymm olhou para Marion, que estava desmaiada. Notou então a GM Wyla em postura de quem tinha acabado de lançar uma magia. Ficou surpreso.

- Wyla. – Namu falou, com a expressão serena – Você não deve interferir diretamente na vida dos homens. Todas as batalhas e glórias são deles... assim como eventuais derrotas.

- Pro inferno com isso então! Me recuso a ficar parada aqui, olhando!

Com um flash de luz rápido, a roupa alva de GM sumiu do corpo da elfa, sendo prontamente substituída por uma roupa de Suma Sacerdotisa. Um Elmo Angelical verde, finamente trabalhado, surgiu em sua cabeça, enquanto um bastão delicado e um broquel apareceram em suas mãos. Ela correu, colocando-se entre Hrymm e Leafar. O Lorde, caído, tentava balbuciar um “obrigado”, mas não tinha forças para isso. Hrymm não deixou de sorrir novamente.

- Acredita que sozinha é capaz de me deter, GM? – disse ele, olhando-a nos olhos.

- Sozinha não.

Wyla e Hrymm se viraram para ver o autor da frase. Oromë encarava Namu, que continuava calado.

- Sozinha não. – repetiu ele – Ela terá ajuda.

Oromë tirou o manto alvo de GM e deixou-o nos pés de Namu. Apenas de calça, correu na direção de Wyla. Deu um pulo e, a exemplo dela, em um flash rápido, estava trocado. Usava uma armadura completa de Lorde. Tinha uma espada de duas mãos presa nas costas. Estava montando um Peco Peco, no qual tinha um Bardiche pendurado, além de segurar firmemente uma espada e um escudo. Uma linda Coroa do Deus Sol estava protegendo completamente sua cabeça.



- Agora sim isso ficou interessante! – Hrymm espalmou a mão. Mjolnir voou da areia direto para ela, sendo segurado com firmeza.

O Mestre-Ferreiro encarou a nova dupla de Suma Sacerdotisa e Lorde. Leafar tentou acompanhar, mas a dor começou a ficar insuportável. Pendeu a cabeça para trás e fitou o céu estrelado. Ouviu os brados de batalha de Wyla e Oromë que, junto com o som das armas se batendo, começaram a ficar distantes, como se tudo aquilo fosse um sonho. Seus olhos se fecharam. Leafar então não ouviu mais nada.

*****

* Homenagem à famosa abertura de Castlevania: Symphony of the Night (PSOne), com o diálogo entre Richter e Drácula.

Capítulo dedicado a todos os leitores do fórum de fanfics, ocasionais ou fixos, que são o combustível primordial para os autores continuarem com suas obras. Muito obrigado!

*****

Ir para o capítulo 7

Comentários (0)



!joomlacomment 4.0 Copyright (C) 2009 Compojoom.com . All rights reserved."

Última mensagem: 3 minutos atrás
  • Apreda00 : so ruim de mira
  • Apreda00 : s
  • Killik07 : WTF é PORING + MAPLE STORY
  • Killik07 : DD TANK é da Gravity ? O.o
  • Killik07 : eae hyuga
  • Vitor Hyuga : bom dia
  • Apreda00 : isso e de mentirta]
  • Killik07 : Não posso entrar no Páis Honesto eu moro no Brasill D:
  • Killik07 : qual servidor ?
  • Apreda00 : ta ai?
  • Apreda00 : so noob ainda
  • Apreda00 : catei no anuncio ali em baixo
  • Apreda00 : «link»
  • Killik07 : manda o site ai vamos x1
  • Apreda00 : so que não precisa baixa
  • Apreda00 : e
  • Killik07 : Gun Bound *
  • Killik07 : Aff DD TANK é imitação de Gun bunda
  • Apreda00 : o jogo e dd tank
  • Apreda00 : so so meio doido
  • Killik07 : Senador Cristovam Buarque
  • Mihashi : kpsopksapkoas
  • Mihashi : legal falar sozinho, né apreda?
  • Apreda00 : ele pegou essa palavras de outra cara lá o que tava querendo faze a lei
  • Apreda00 : mais pelo video
  • Apreda00 : to testando um jogo aqui
  • Apreda00 : pera
  • Mihashi : - . - '
  • Mihashi : mas pelo menos nao imita o cara, repetiu as mesmas palavras
  • Apreda00 : mas e a pura verdade
  • Apreda00 : se viu né
  • Apreda00 : kk
  • Mihashi : fica queto felipe neto . - .
  • Apreda00 : jeito mais fácil do ensino melhora se os filhos de políticos fossem obrigados a estuda em escola publica
  • Apreda00 : não tenho grana para isso
  • Apreda00 : ops
  • Apreda00 : te compra uma passagem para europa
  • Mihashi : sim
  • Apreda00 : mihashi revoltado
  • Killik07 : brasil um pais de burros

Somente usuários registrados podem postar.

Grupos do Google Ragnatales
Participe do grupo RagnaTales


Visitar este grupo
Ragnatales - 2010 | Todos os Direitos Reservados
É expressamente proibida a reprodução do conteúdo deste site, completa ou parcialmente, sem a prévia autorização dos proprietários.
Ragnarök Online© é marca registrada da Gravity Co Ltd. Todos os direitos reservados.