[Fanfic] Fim dos Heróis

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Brian
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[Fanfic] Fim dos Heróis

Mensagem por Brian » 31 Jan 2019, 02:56

Eu ia por um textão aqui, mas vai ser só um tl;dr
A Laevateinn encerrou as atividades em 2012, e eu comecei a escrever isso como um "encerramento" para o clã. Mas eu sou preguiçoso e só escrevo esporadicamente. Espero que gostem~.

Este conto é em memória a todos os membros da Laevateinn, que riram, choraram e sangraram juntos. Que sejam eternas suas memórias de glória e que sua amizade dure pelas eras.
Dedicado a: Andrew, Corah, Hell, Hopz, Led, Lemi, Oriens, Paeron, Shinx, Thiago e a todos os demais membros e ex-membros da Laevateinn.

Prólogo: O Fim dos Heróis
Leves passos ecoavam pelo ambiente. Uma garota baixa, de aparência jovem e de longos cabelos azuis andava, esgueirando-se, pelo macabro local. O piso possuía estranhas manchas, as paredes eram feitas de algum metal escuro e um cheiro pútrido de poluição dominava o local. Respirar era difícil, pois um odor acre invadia-lhe as narinas, deixando-a cada vez mais nauseada. Parou por um instante. Precisava de ar, mas não daquele. Tossiu algumas vezes e por pouco não vomitou. Aquele não era um ambiente para uma elfa.

- Ária, você está bem? - Sussurrou-lhe uma voz em seu ouvido.

A elfa levou sua mão até a pontuda orelha onde um pequeno comunicador se encontrava. - Estou, Led. Ao menos por enquanto.

- Se você quiser eu posso ir aí. - A voz de Led, líder da Laevateinn, soava preocupada.

- Os novos recrutas precisam de você mais do que eu. Além do mais, eu tenho meu guarda-costas comigo.

A garota mal havia acabado de falar quando um vulto surgiu das sombras. Aquilo não havia a surpreendido. Era normal para assassinos treinados se mesclarem com as sombras, mas nada escapava a audição de um elfo. Ainda mais quando o vulto era amigo. O sicário era de altura mediana e tinha cabelos castanhos arrepiados. Apesar da máscara que cobria parte de seu rosto, era evidente que ele também estava preocupado. Nada naquele local parecia certo.

- Eu tenho o Allen para me proteger, Led. Fique aí, por favor.

- Muito bem. Mas qualquer sinal de problema, me chame. Eu irei correndo aí.

- Não precisa se preocupar, eu ficarem bem. - Disse a elfa, cortando a transmissão. - Allen, volte para as sombras. Não se preocupe comigo, certo? Apenas fique a postos.

O sicário hesitou por um momento. Apesar da pouca luz, estava estampado em seu rosto que ele não gostava do plano da amiga. Mesmo assim ele acatou a ordem sem questionar, desaparecendo entre as sombras. A elfa sorriu levemente e retomou sua exploração. Um galpão abandonado em Einbroch. Havia sido este o último local onde o sistema de operação da Laevateinn havia recebido sinais de Jack O' Daniels. No começo, Led havia imaginado que o sumiço de Jack havia sido simplesmente porque o lorde precisava de um tempo só. Porém, após duas semanas de sumiço, os membros da Laevateinn começaram a ficar preocupados.

- Eu não estou com um bom pressentimento, Ária. Deixe-me ir na frente. - O sussurro em sua orelha agora era de Allen. - Se algo acontecer a você, o Led vai me matar. Sério.

A elfa hesitou por alguns instantes. - Apenas fique escondido. Se algo acontecer, precisaremos do elemento surpresa.

Allen resmungou algo, mas não levantou nenhuma objeção. Conforme Ária avançava pelo galpão, mas marcas apareciam, e mais sujo estava o chão. Pareciam restos de animais mortos. Ou ao menos ela rezava para que fossem apenas animais. O odor de poluição da cidade começava a ser substituído pelo cheiro de excrementos e de decomposição. Cheiro de uma morte lenta e desesperadora. A garota parou em frente a uma grande porta de ferro e pôs a mão sob a orelha. Baixinho, chamou por um nome: Rina.

- Rastreador Integrado de Nanotransmissão Autônoma ativado. Usuário reconhecido. Alta conselheira Ária Eltz. Em que posso ser-lhe útil?
A voz que havia a saudado era robótica e sem vida, mas encheu a elfa de conforto. Rina, como os demais membros haviam apelidado o sistema de operações da guilda, era capaz de localizar membros da Laevateinn onde quer que eles estivessem. Ela era a peça chave para encontrar Jack O' Daniels. Levando em conta a atmosfera macabra do local, a elfa sentiu um arrepio correr por sua espinha. Seu estômago revirava e ela se sentia tonta. Por um instante um pensamento macabro correu-lhe a mente. Mas não era nisso que ela devia se focar.

- Rina, me informe a localização atual de Ertiss Guardheart. Codenome Jack O' Daniels.

- Membro identificado. Ertiss Guardheart encontra-se em Einbroch. Calculando distância entre membros.

O silêncio tomou conta do ambiente. Ária sentia como se fosse vomitar. Ou desmaiar. Ou vomitar e desmaiar. Seu coração batia acelerado, e ao mesmo tempo parecia se passar uma eternidade entre cada batida. Por fim, a voz artificial de Rina cortou o silêncio.

- Ertiss Guardheart se encontra a aproximadamente três metros a sua frente.

As pernas da elfa fraquejaram e ela sentiu seu coração parar de bater por um instante. Por algum milagre ela não despencou no chão. Ao invés disso, respirou fundo e levou sua mão a maçaneta. Fez uma breve oração, implorando às nornas para que o pior não houvesse acontecido, e empurrou a porta. Um alto e estridente barulho ecoou por todo o galpão enquanto a pesada porta lentamente se abria. A elfa levou suas mãos à boca, tapando um grito, e seus olhos se encheram de lágrimas. A sala estava bem iluminada e era completamente branca, do teto ao piso. Ou seria, se sangue não estivesse espalhado por toda ela. No centro dela estava um corpo desfigurado. Trajava uma armadura enferrujada que Ária sabia que antes fora rica em adornos. Os cabelos do cadáver estavam quebradiços e esbranquiçados, mas ainda sendo possível notar tons de ruivo. O pescoço havia sido quebrado e o crânio estava em uma posição humanamente impossível. O corpo estava deitado com a barriga no chão e voltado para a direção oposta da porta, mas a cabeça olhava para ela. Olhos de um verde perturbador e espectral saudavam a elfa. Ela sentiu suas pernas perderem a força, mas Allen surgiu a tempo de segurá-la antes que ela caísse.

- Ertiss. Por Odin, quem faria algo tão cruel? - O sicário olhou para a amiga com olhos sérios. - Ária, é melhor você sair daqui.

A elfa, usando um último resquício de força, soltou-se do sicário, mas suas pernas ainda estavam fracas e acabou caindo de joelhos. Olhou mais uma vez para o corpo do amigo. Percebeu que partes dele faltavam. Estava com dedos a menos, e pedaços de carne pareciam ter sido arrancados brutalmente por algum objeto afiado. A visão a fez tremer. Sentiu lágrimas rolarem quentes por suas bochechas. Sentia raiva de si mesma por não ter podido fazer nada pelo amigo. Sentia ódio de quem quer que o tivesse matado. Tentou gritar, mas nada saiu de sua garganta. Limitou-se a deixar suas lágrimas secarem enquanto Allen recolhia o que outrora havia sido Jack O' Daniels.
Capítulo Primeiro: A Chuva
Uma leve chuva lavava a cidade de Prontera. As gotas batiam no teto da igreja, tão movimentada naquele dia. Dentro dela um sacerdote entoava uma oração. Apesar de tudo que acontecia, Ária não prestava atenção. Seus pensamentos divergiam, confusos. Tentou olhar ao seu redor, mas sua visão estava turva por causa das lágrimas. Piscou com força algumas vezes e enxugou o rosto com as mãos. Ao seu lado, também sentados nos bancos da catedral de Prontera, estavam vários membros da Laevateinn. Reconheceu Allen, sentado um pouco mais a frente, e Lemi, que mantinha um olhar distante. Reconheceu Corah, sentada mais à frente, por causa de seus cabelos brancos e assumiu que a garota ao lado dela era sua filha adotiva, Misa. A frente de todos estava um homem de estatura mediana e de cabelos castanhos, Led Vetvarius, trajando uma armadura negra ao invés de sua tradicional armadura branca e dourada. A sua direita estava Alliona Moonlight, que não conseguia conter suas lágrimas. Os dois estavam em frente a um caixão, onde agora repousava Ertiss Guardheart. Por causa do estado do corpo do lorde, o caixão estava fechado. Ária fechou os olhos. Sabia que assim que a missa acabasse o caixão seria levado para a cripta dos Guardheart, e após isso...

- Após isso, nunca mais veremos Jack O' Daniels. - Murmurou para si mesma.

Sald Guardheart, pai de Ertiss, havia passado mal ao saber da notícia do falecimento do filho e levado às pressas para a enfermaria da cidade. Ertiss era o único herdeiro da família, e agora o nome Guardheart estava fadado a desaparecer na história. Era um pensamento triste. Um sino badalou, ecoando por toda a igreja. A missa havia acabado, e o corpo seria levado embora. A elfa trocou algumas palavras com algum membro sentado ao seu lado, se levantou e seguiu para fora da catedral. Precisava de ar fresco. A chuva começava a engrossar, mas ela não se incomodou. Debaixo dela, sentia como se todas suas preocupações estivessem sendo levadas embora.

- Você vai acabar gripada.

A elfa reconhecia a voz. - Led. Você não devia ter saído.

O cavaleiro rúnico suspirou e entregou sua capa para a elfa se proteger da chuva. - Se eu ficasse lá dentro por mais um minuto, acho que ficaria louco. Tudo o que aconteceu esses meses... não é fácil ser líder, sabia? As vezes eu desejo que o Gilbert nunca tivesse sumido. Ou que nós nunca tivéssemos criado a Laevateinn. Nada disso teria acontecido se nós não tivéssemos comprado aquele maldito Emperium.

Um forte estalo ecoou pelos arredores da catedral. O cavaleiro rúnico pôs uma mão sobre a bochecha que a elfa havia acabado de estapear.

- Não repita isso. Por favor. Se não fosse pela Laevatein... vocês são a única família que eu tenho. Se não fosse por ela, eu nunca teria conhecido tantas pessoas maravilhosas.

- Me desculpe.

Ária assentiu com a cabeça. A chuva estava mais forte, tornando a capa de Led uma proteção inútil. Mesmo assim, ela se sentia grata. Os dois ficaram em silêncio, deixando que a chuva falasse por eles, até o sino badalar outra vez.

- Deviamos entrar. - Falou Led.

Ária acenou com a cabeça. Os dois adentraram a catedral, deixando poças de água por onde passavam. Seguiram até onde os demais membros da guilda estavam. Alguns riram timidamente ao ver o estado dos dois líderes.

- Vocês se molharam na chuva? - Perguntou Allen.

- Não. Nós nos molhamos aqui dentro mesmo. Mas que pergunta imbecil, Allen. - Led tentou abrir um sorriso, sem sucesso. - Algum de vocês tem notícias do Brian? Eu gostaria de avisá-lo sobre o falecimento de O' Daniels, mas ele sumiu.

- A última vez que eu vi meu irmão foi há dois meses atrás. - Corah parecia pensativa. - Ele foi visitar nosso tio e... bem, essa foi a última vez que eu tive notícias dele.

- Provavelmente ele só deve estar dando um tempo de nós. - Led forçou uma risada, que soou parecida com um corvo grasnando. - Mas ao menos agora eu sei o que ele quis dizer na carta que ele me deu. Eu achei que ele tinha partido numa jornada épica para enfrentar algum demônio ancestral, mas não. Ele apenas foi visitar os tios. Que vida boa que tem aquele senhor Garamond.

Todos riram, dessa vez um pouco mais abertamente. Se havia algo em que Led era bom era em levantar a moral dos seus. Ária sorriu. Era bom ver todos unidos, apesar da ocasião fúnebre. Após algum tempo, os membros da Laevateinn começaram a ir embora, cada um indo cuidar de sua própria vida, até que só Led, Ária, Corah e Allen restaram na igreja. A chuva já havia passado, embora o Sol ainda estivesse coberto por nuvens acinzentadas.

- Bom, agora que só restaram vocês aqui, eu tenho um favor a lhes pedir. - Led soava sério. - É importante, e eu quero que vocês ouçam com atenção. - O cavaleiro esperou alguns instantes para se certificar que tinha a atenção de todos. - Nós temos três das cinco essências da Laevateinn. Mas Rina não consegue localizar as últimas duas.

Ária ergueu uma sobrancelha. - Por que não? Digo, essa é a função principal dela, não?

Led assentiu com a cabeça. - Sim, e eu estranhei isso. Eu havia pedido para O' Daniels procurar algo sobre as duas essências restantes.

- Você acha que o assassinato de Ertiss tem algo há ver com as essências que faltam?

O rúnico assentiu mais uma vez. - Mais alguém deve saber da existência delas, e não está a fim de competição por elas. Se for esse o caso, todos os membros da Laevateinn estarão correndo perigo. - Led hesitou. - Eu pensei nisso enquanto estávamos debaixo da chuva, Ária. Seria melhor se eu continuasse nisso só. Mais ninguém precisaria se arriscar por causa disso. Isso é minha culpa, e eu não quero envolver vocês nisso.

- Você está dizendo que a Laevateinn... - Allen ficou em silêncio.

- A Laevateinn está encerrada, sim. Vocês não tem porque continuar nisso.

- Não seja estúpido! Nós não vamos te abandonar, ainda mais agora com a suspeita de alguém disposto a matar pelas essências! - Ária apertava com força as mãos, contendo-se para não dar outro tapa em Led. - Você não pode pedir isso para nós!

Led balançou a cabeça. - Ária, por favor. Assim que eu chegar na base eu mandarei Fox me passar quaisquer que forem os relatórios que ele tem sobre as essências e pedir para que ele retorne a vida de acadêmico dele. Entendam, vocês não precisam mais se envolver nisso.

Os três uniram suas vozes para expressar seu descontentamento com a decisão do rúnico, mas era em vão. Aquela havia sido sua decisão final. A Laevateinn estava encerrada. Ainda sob as contestações dos amigos, Led foi embora sem olhar para trás. Aquele era um caminho que ele havia decidido caminhar só. De longe um vulto observava tudo, rindo baixinho para si mesmo. Seus planos estavam caminhando exatamente conforme ele havia previsto. A chuva voltava lentamente, deixando Ária, Corah e Allen com uma sensação de vazio e de desespero. Algo estava para acontecer. Algo ruim.
Capítulo Segundo: O Sangue
Em uma sala mal iluminada, um homem magérrimo, com a cabeça cheia de finos fios de cabelos negros, encarava uma mesa. Ele apontou para um pequeno objeto esférico azulado que estava em cima dela. "Um", ele contou. Movendo a mão para a direita, apontou para outro objeto, dessa vez amarelo. "Dois". Repetindo o movimento, apontou para um espaço vazio. Ele balançou a cabeça e voltou para o primeiro objeto. "Um". Ele repetiu o processo de novo e de novo, até finalmente cansar. Virando-se, ele encarou um rapaz preso a um pilar de madeira, suas mãos amarradas ao redor dele, no meio da macabra sala. Estava sem camisa e com o corpo coberto de feridas, e o chão ao redor do pilar estava encharcado de sangue. Com algum esforço, o homem amarrado levantou a cabeça. Seu captor aproximou-se, com um largo sorriso em seu rosto, tão fino quanto o resto de seu corpo. O jeito que seus olhos acinzentados, encovados e com grandes olheiras, o encaravam dava ao sorriso uma aparência assustadora. De perto, notava-se que haviam inúmeros fios brancos em sua cabeça. Com um carinho quase fraterno, ele alisou o rosto de seu refém, estapeando-o com força em seguida. Os cabelos castanhos do homem tapavam-lhe o rosto, e seu captor cuidadosamente afastou-os para poder ver seu rosto. O homem o saudou com seus frios olhos azuis, um olhar que assustaria o mais terrível dos monstros de tanto ódio que carregava. Mas, para seu captor, o olhar só o fez sorrir ainda mais. Não que aquilo o tivesse deixado surpreso. O refém já havia descoberto que seu captor era pior do que qualquer monstro.

- Você era amigo do lorde ruivo, não é? Você quer que eu te conte como eu matei ele? - Disse o homem magro, sem piscar ou afrouxar o sorriso. Seu refém o respondeu apenas cuspindo sangue em seu rosto. - Ah, não seja assim. Eu sei que vocês eram amigos. Vamos, senhor Garamond, você não quer ouvir? - O homem parou e fez uma falsa expressão de surpresa. - Ah, que grosseria a minha. Estamos juntinhos aqui tem dois meses, não é? Eu devia abandonar as formalidades e te chamar pelo seu nome, não é, Brian?

Brian encarou o estranho homem por alguns instantes. Seu olhar carregado de fúria parecia o divertir mais e mais. - Loki. - Disse, finalmente quebrando o silêncio. - É assim que você disse que se chamava, não é?

- Ray Vardent, na verdade. Ah, mas é um nome tão, tão feio. Ele carrega todos os pecados dos meus pais. Eu prefiro Loki.

- Quanta prepotência.

- Você sabia que o próprio Loki me permitiu que eu me chamasse assim?

Brian apenas encarou Loki. Tinha medo de trocar palavras com ele. Uma pessoa que buscava tão ferrenhamente pelas essências da Laevateinn, mas aparentemente sem sequer saber pra que elas serviam. Um homem que torturou e matou O' Daniels tentando conseguir informações, e que pretendia fazer o mesmo com Brian.

- Mas então. - Loki voltou a puxar assunto enquanto se virava para uma outra mesa, cheia de instrumentos de tortura. - Aquela sua irmã é bem bonitinha, não é? Eu realmente gosto do cabelo dela. Faz o meu estilo. - Loki virou-se de volta, segurando um bisturi. - Qual era o nome dela mesmo? Coralina? Corah?

Brian sentiu um frio em seu estômago. Loki nunca havia citado sua irmã antes. Mantendo a calma, continuou em silêncio.

- Ah, você está surpreso por eu saber dela? Ela é da mesma organização que você. É claro que eu sei dela! - Loki riu alto por alguns instantes até recompor-se. - Ah, depois de você, ela é a próxima. - Loki encostou o bisturi no peito de Brian e cuidadosamente começou a cortar a carne. - Sabe, eu sei que isso soa inacreditável, mas eu não tenho diploma de médico.

O homem ria maniacamente enquanto rasgava a carne de Brian, desenhando o que parecia ser um poring com chifres. "Isso vai dar uma bela tatuagem, confia!", ele disse em algum momento. Brian não ouviu, estando concentrado em resistir à dor. O sangue começava a escorrer quente pelo seu peito, e sua respiração começava a ficar irregular. Um espasmo involuntário de um músculo. Loki sabia que faltava pouco para quebrar o espírito de seu refém. Ele sabia isso há mais ou menos um mês. Ele começou a cortar mais rapidamente e com menos cuidado. Um mês tentando de todas as formas vencer a batalha de nervos. Um mês falhando miseravelmente. Era a mesma situação de O' Daniels. Por que ele não conseguia vencer? A lâmina agora cortava mais fundo, e um pouco de sangue espirrava em seu rosto. Loki ofegava. Todo seu corpo gritava para ele matar. Ele queria matar Brian e acabar de vez com isso. Sim, e depois que ele o matasse, ele podia partir para ao próximo, e para outro e mais outro.

- Você não pode me matar, não é? - Brian disse com algum esforço, assustando Loki.

- Do... do que você está falando? - Loki gaguejou, enquanto tateava o chão em busca do bisturi que ele havia derrubado no susto.

- Dois meses. Sejamos sinceros, depois da minha primeira semana você já devia ter me matado.

Loki se levantou, serio. Com um movimento brusco, fincou o bisturi no braço de Brian e girou a lâmina.

- Você está certo. Isso está começando a perder a graça, e olha que eu estou me esforçando muito. - Enquanto falava, girava lentamente o bisturi. - Mas eu não posso te matar. Me pediram pra te deixar vivo. E você sabe quem? Ah, eu te digo quem.

Brian sorriu. - Foi o meu tio.

- Foi o seu tio. - Loki parou. - Você, como você?

Aproveitando a distração de Loki, Brian acetou-lhe com um chute entre as pernas. O louco caiu de joelhos, urrando de dor. - O motivo pelo qual meu tio havia me chamado para Al de Baran foi exigir Reginleif. Ele nunca considerou o meu pai digno de ter herdado a espada, e me achava ainda mais indigno. Eu escondi Reginleif antes de ir, e meu tio sabia que eu faria isso. Imagino que ele deva ter procurado alguém para garantir que eu soltaria a língua e encontrou você, não por acaso, imagino. Você ia poder me torturar para poder extrair informações das essências e deixar meu tio cuidar do meu sumiço. Devo admitir, estou impressionado. Impressionado por você ter esquecido de amarrar meus pés hoje.

Loki se levantou em um salto, espumando de raiva. - Dane-se. Eu posso dizer que aconteceu um acidente. - E saiu em disparada, com o bisturi apontado para seu alvo.

Brian girou ao redor do pilar, saindo da frente. Loki tentou parar, mas acertou o pilar com toda a força de seu corpo. Seu bisturi ficou preso nas costas de Brian, mas o impacto foi o suficiente para abalar o pilar, já frágil após tanto tempo sendo regado com sangue, e com o que ainda lhe restava de forças, Brian o destruiu. Loki, ainda tonto, olhou para cima. Brian o encarava. Mesmo com o corpo magro e debilitado, cabelos quebradiços e uma rala barba mal cuidada, o simples fato de estar de  pé, livre de sua prisão, lhe concedia um ar intimidados. Seu olhar finalmente pôs medo em Loki.

- Você é uma pessoa terrível. Eu realmente tenho medo de você. - Brian avançava lentamente. Com algum esforço, conseguiu puxar o bisturi em suas costas e o usou para cortar as cordas que prendiam seus punhos. - Mas o meu medo me fortalece. Eu vou acabar com você, agora, para que você não faça mal a mais ninguém.

Loki começou a gargalhar. Uma risada seca e forçada, que abruptamente foi substituída por uma risa maníaca, que aos poucos se silenciou.

- Me desculpe, isso não vai acontecer. - A voz de Loki soou diferente. Lentamente, ele se levantou. Por algum motivo, ele parecia mais alto. Uma aura intimidadora emanava dele. - Meu senhor não vai me perdoar se eu falhar. Brian Garamond, você morre aqui.

Em um movimento rápido, Loki agarrou o pescoço de Brian e o ergueu no ar.

- Lindo o seu discurso, mas você sabia que uma queda de setenta metros costuma ter uma taxa de óbito de cerca de noventa e oito porcento? - Loki abriu um largo sorriso, o maior até aquele momento, se divertindo enquanto sua presa se debatia inutilmente para se libertar. - Aqui perto existe um lugar chamado Vale da Morte. Sabe o porquê desse nome? - Rindo, continuou enforcando Brian até que ele perdesse a consciência.

Brian recobrou os sentidos com Loki o esbofeteando. Estavam na beira de uma ponte de metal destruída, a beira de um precipício. Ergueu-se rápido, mas não havia para onde correr. Loki havia vencido.

- Não se preocupe, tem água no fundo. - E, com um forte chute no estômago, reabrindo quase todas as feridas, Loki o arremessou em direção ao abismo. - Não que isso importe muito.

A risada de Loki foi tudo que Brian ouviu enquanto mergulhava na escuridão.
Capítulo Terceiro: A Lealdade
O clima na sala estava pesado. Sentado em uma extremidade da mesa estava Led, de barba mal feita, cabelos desarrumados e armadura enferrujada. Do outro, um jovem de curtos cabelos ruivos, trajando um cardigã verde por cima de uma camisa xadrez. O ruivo encarava Led com raiva, de braços cruzados. A única som em toda a sala era ocasionais pigarros de Led. Alguns instantes se passaram até o silêncio ser quebrado pelo som de uma porta abrindo. Por ela entrou uma jovem de cabelos prateados e de olhos azuis, trajando um vestido preto simples, também com um cardigã verde por cima. Ela seguiu até o rapaz ruivo, sem notar Led.

- Nick, você pediu para me chamarem?

Nick sequer desviou o olhar para ela. Confusa, a jovem olhou para a direção que o amigo olhava.

- Led?! - Ela exclamou, surpresa. - O que, em nome de Odin, você está fazendo aqui?

- Oi, Coh. - Foi tudo que Led disse, acenando.

Corah olhava, confusa, para Led e para Nick, esperando alguma resposta. O ruivo finalmente quebrou o silêncio.

- Led. Você desfez a Laevateinn. Tomou a força todas minhas pesquisas sobre as essências. Mandou eu voltar a lecionar. Agora, duas semanas depois, você quer que eu te ajude?

Nick, Red Fox como era conhecido na Laevateinn, parecia metralhar Led com os olhos. Se uma pessoa pudesse morrer de vergonha, provavelmente Vetvarius já estaria morto.

- Olha, eu sei que eu disse tudo isso, ok? Mas é diferente. Aqui, veja isso.

Led abriu a mochila, pendurada no braço da cadeira que ele estava sentado, tirou um velho pergaminho de dentro dela e o estendeu na mesa.

- Um mapa? - Nick olhava, confuso. - De que?

- A sexta essência.

- Sexta? - Corah disse. - Mas não eram apenas cinco? Eu não entendo.

- Eu também achei isso. Mas eu encontrei isso enquanto procurava a essência do Gelo de Ymir. Ela não estava lá, mas seja lá quem a pegou não notou isso.

Nick interrompeu Led. - Espera, alguém pegou a essência? Como você não sabe que ele plantou isso?

- Estava dentro de um vaso que eu quebrei por raiva. Se fosse plantado, estaria em um lugar mais óbvio, não?

- Talvez. Ou talvez quem plantou sabia que você ia começar a quebrar coisas quando visse que a essência não estava mais lá.

Led riu. - Você está pensando demais nisso. O que depois? Vai me dizer que quem plantou isso sabia que eu ia procurar por você?

- Eu não sei.

- O local parece ser perto do Vulcão de Thor. Se pegarmos uma aeronave, podemos chegar lá ainda hoje.

Nick e Corah se entreolharam. Era comum Led agir antes de pensar, e era exatamente o que parecia estar acontecendo no momento. Corah tentou por algum juízo na cabeça dura do cavaleiro rúnico.

- Led, o Vulcão de Thor por si só já é algo perigoso. Se isso realmente for uma armadilha, quem sabe o que pode acontecer? E, mesmo se não for, não é de qualquer vulcão que estamos falando.

- Besteira. Não tem com o que se preocupar, eu tenho essas duas belezinhas. - Led deu dois tapinhas nas Guias da Morte. - Enquanto eu tiver elas, não temos com o que nos preocupar.

Nick ergueu uma sobrancelha. - Led, as Guias da Morte já quase nos mataram no mínimo uma dúzia de vezes.

- E no fim ninguém morreu!

- Quase sempre porque o Brian ou a Ária interviram. Tem meses que ninguém vê o Brian, e a Ária simplesmente desapareceu.

- Você conseguiu me conter em Byalan.

- Eu te contive, Led. Eu não conseguir desfazer o controle das Guias sobre você. Se algo de ruim acontecer e você sucumbir a elas, quem sabe o que pode acontecer?

- E o que você quer que eu faça? Use a Graveto? A droga da espada está no fundo de Byalan!

- Talvez possamos usar alguma espada do Brian? Tem várias lá em casa. - Disse Corah, tentando, sem sucesso, acalmar os ânimos.

- Não. Nós vamos com as Guias da Morte. Ou vocês vem comigo, ou eu vou sozinho. Eu não me importo. - Led se levantou da cadeira e bateu com força na mesa. - Eu posso contar com a ajuda dos meus amigos?

Nick hesitou por alguns instantes. - Se você realmente não pretende voltar com a Laevateinn, então apenas mais essa vez.

Led abriu um largo sorriso e deu um pequeno pulo de alegria. - Perfeito! O próximo aeroplano para Arunafeltz sai em uma hora. Nos encontramos lá.

O cavaleiro saiu da sala em disparada, deixando Nick e Corah se entreolhando. Os dois sabiam que Led nunca havia sido muito bom das ideias, mas algo parecia diferente. Mesmo assim, os dois seguiram para o aeroporto conforme o combinado. Vetvarius já estava lá os esperando quando chegaram, e os três embarcaram no aeroplano com destino a Rachel. A viagem foi tranquila, como a maioria das viagens de aeroplano, e no final da tarde chegaram em Rachel, capital de Arrunafeltz.
O aeroporto ficava do lado de fora da cidade, então tiveram que caminhar um pouco até chegarem nos portões da cidade, cercada por uma muralha de pedra branca. "Como já está tarde, vamos nos hospedar por aqui e seguiremos para Veins amanhã", sugeriu Led. Corah e Nick não tinham nenhuma objeção à ideia. Um grande lago com árvores e grama ao seu redor, paisagem rara no resto da cidade, se localizava logo na entrada da cidade, virando a esquerda. Seguindo reto pela rua de pedra, um jardim florido e grandes casas, feitas da mesma pedra que o muro, saudavam os visitantes. As casas eram na sua maioria de dois andares, com algumas tendo três ou mesmo quatro, e tinham o teto chato. Corah explicou que o telhado plano facilitava a criação de um andar superior caso fosse preciso, o que normalmente após os filhos do dono da casa casarem.
O grupo rondou as estalagens de cidade por aproximadamente uma hora. A que acabou sendo escolhida estava localizada no centro da cidade, perto de uma fonte, e não era muito diferente das demais casas, exceto pelo fato de ser consideravelmente maior que elas. Na sua frente havia um movimentado comércio, com aventureiros vindos de todas as partes loucos para explorarem as planícies áridas da região, e mercadores loucos para explorarem os aventureiros.

- Doze mil zennies por uma por uma poção da fúria selvagem! - Bradava Led. - Com doze mil zennies eu podia comprar algum café desses chiques e passar o mês todo com ele! E eu aposto que o efeito seria o mesmo!

Led e Nick dividiam um quarto, enquanto Corah tinha um só para ela. O quarto era amplo, com o piso de pedra polida e paredes em um leve tom de dourado. As janelas, localizadas no lado esquerdo, tinham longas e sedosas cortinas douradas, e apontavam para a praça. Haviam duas camas de solteiro, uma em cada canto do quarto, com um criado mudo cada, além de um grande tapete entre elas. A porta que dava para o corredor da estalagem se localizava entre as duas camas de modo que elas apontavam para a porta, e uma outra porta, a do banheiro, estava perto da cama de Nick, a da direita. Havia também uma pequena mesa de madeira escura com uma poltrona perto das janelas.
Nick não gostava muito da ideia de dividi-lo com seu barulhento amigo, mas não tinha muita escolha, visto que Led havia esquecido a maior parte de seu dinheiro na sede da Laevateinn em Lighthalzen, o que impedia que cada um tivesse um quarto, e ele não queria dividir um quarto com Corah. A sede era uma grande casa um pouco a norte da delegacia da cidade, com alguns poucos serviçais de confiança. Quando a Laevateinn havia retomado suas atividades, Nick havia se perguntado como diabos Led conseguia pagar o aluguel de uma casa tão grande em um bairro nobre de uma das cidades com maior custo de vida do mundo. Apenas depois de muito tempo ele descobriu que, na verdade, Brian que pagava o aluguel.
Enquanto Led continuava a reclamar do preço das poções na cidade, Nick se perdia em pensamentos sobre como a maior parte dos membros da Laevateinn eram pessoas normais, ou quase normais, antes de conhecerem o cavaleiro. Ele era um professor, Alliona era uma sacerdotisa órfã, Allen um mercenário, Lemi um pesquisador, e a lista seguia. O próprio Led era um simples aventureiro antes do incidente com as Guias da Morte. Ertiss fugia da norma, sendo um nobre, mas mesmo assim não havia nada que o destacasse dos demais membros. Com Ária, as coisas começavam a ficar estranhas, sendo ela uma elfa sem memória. Com Corah, as coisas se tornavam ainda piores. Uma alquimista, treinada por um mestre de Amatsu, que se envolveu com a Rekember e fugiu com um projeto de arma biológica, buscando proteção na Universidade de Juno. E então tinha Brian. Apesar de ter a mesma idade que os demais membros, a diferença de habilidades entre ele e o resto era notável. Quando Led havia sido controlado pelas Guias da Morte, os membros da Laevateinn tinham dificuldades em apenas se manter perto dele. Brian, por outro lado, o enfrentava de igual para igual. Isso sem falar nas incontáveis vezes que ele se fez de escudo humano para proteger alguém em perigo.

- Eu realmente gostaria que ele estivesse aqui. - Resmungou Nick, afundando na confortável poltrona.

Tal como os Guardheart, os Garamond eram uma família nobre de Prontera. E, tal como os Guardheart, eram uma família que pouco se ouvia falar. A mãe de Brian e Corah havia sido assassinada, e o pai deles, o principal suspeito do  crime, havia simplesmente desaparecido. Motivos bons o bastante para uma família querer discrição. Um crime nunca solucionado e um suspeito nunca capturado. Isso deixava Nick curioso, mas seria rude perguntar a Corah sobre isso. Além disso, ele tinha mais com o que se preocupar. Sacudiu as lembranças da Laevateinn de sua mente e decidiu focar na missão do dia seguinte. De acordo com o mapa de Vetvarius, no sopé do Vulcão de Thor havia uma pedra com uma inscrição que, ao entrar em contato com uma essência, abriria caminho para onde estava a próxima. Nick deitou-se em sua cama e estudou os mapas até adormecer, horas depois de Led ter se acalmado e ido dormir.
Teve um sono sem sonhos, do tipo que faz parecer que a noite passou em apenas alguns minutos, e acordou antes de Led. Seguiu para o banheiro e lavou o rosto antes de decidir descer e ver se o café da manhã já estava sendo servido. Para sua surpresa e felicidade, ao seguir para a área de refeições ele foi saudado por uma farta mesa, servida com diversas iguarias de Rachel. Pães, queijos com azeitonas, pastas e frutas diversas, sementes de pistache e diversos tipos de chá decoravam a mesa. O professor tratou de fazer um prato cheio, se servindo de um pouco de tudo, e seguiu para as mesas externas. Haviam poucas pessoas acordadas, mas ele rapidamente encontrou um rosto conhecido entre os que estavam fazendo desjejum.

- Bom dia, Coh. - Disse, se aproximando de uma mesa.

- Bom dia, Nick. - Corah disse entre um bocejo. - O Led ainda está dormindo?

- Como uma pedra.

Os dois comeram em silêncio, aproveitando a refeição. A culinária de Arunafeltz podia ser diferente da de Rune Midgard, mas esse era seu charme. Após terminarem de comer, Nick debateu com a amiga os planos para a missão até serem interrompidos por Led, que segurava um prato duas vezes maior que o que Nick havia feito. O cavaleiro sentou-se na mesa e, após um sonolento "bom dia", começou a comer. Sob os olhares impressionados de Nick e Corah, Led comeu a pilha de comida em poucos minutos, enfiando pedaços inteiros na boca e engolindo sem mastigar. Soltando um longo arroto, Led ficou totalmente relaxado na cadeira.

- Eu daria um nove e meio se isso não fosse tão nojento. - Disse Nick, balançando a mão no ar para dissipar o cheiro do arroto. - Estávamos debatendo o plano de ação para hoje. Imagino que você queira ouvir.

Led grunhiu algo incompreensível, e Nick decidiu entender aquilo como um sim.

- O primeiro andar é em forma de anel, com a entrada em uma extremidade e as escadas em outra. Também existem duas salas circulares, cada uma no meio do caminho dos dois lados. O segundo é em forma de cruz, novamente com salas circulares, mas dessa vez nas extremidades leste e oeste. As escadas ficam seguindo reto de onde começamos. O terceiro parece ser um longo corredor. Eu realmente não entendi ele. O quarto é um grande quadrado sem nada de mais. O último parece ser onde está a essência. Os mapas não avisam de segurança ou de armadilhas, então devemos ter muito cuidado lá.

Led grunhiu novamente, e Nick suspirou. A missão parecia cada vez mais suicida. Corah pôs uma mão no ombro de Nick e sorriu. "Vai dar tudo certo", ela disse. Por alguma razão, as palavras dela encheram Nick de confiança.

- Então vamos lá. Vamos para Veins.

O trio seguiu até um agente da Corporação Eventos Incríveis e compraram um teleporte para Veins. A sensação de ser teleportado e a mesma de estar sendo puxado em alta velocidade pelo o umbigo. Os dois professores chegaram sem problemas, enquanto Led, ainda cheio de tanta comida, ficou cambaleando nauseado. Aproveitaram o mal estar do amigo para apreciar a paisagem. A cidade havia sido construída em um canion, com as casas construídas dentro das paredes dele e sendo conectadas por pontes. Seguindo a sul havia um braço de mar e seguindo ao norte, após subir uma ladeira, estava o caminho para o vulcão. Após Vetvarius começar a se recuperar, o trio seguiu para fora da vila. O local indicado no mapa ficava a aproximadamente uma hora de viagem a pé.
As criaturas dos campos de Veins não apresentavam nenhum desafio aos três viajantes, e conforme Led melhorava as criatura passavam a evitar o grupo. Uma grande pedra negra com um formato de agulha que se erguia alta no sopé da montanha indicava que eles haviam finalmente chegado ao seu destino. Led remexeu a mochila até encontrar um pequeno saco. Desfez o nó que prendia sua boca e, de dentro dele, tirou uma esfera azul-marinha. O cavaleiro precisou apenas encostar a esfera para que a pedra reagisse a ela. Um tremor de terra fortíssimo começou, e a grande pedra começou a se mover para trás, revelando uma escadaria. Os três se entreolharam.

- Essa é a última chance de vocês. Se quiserem desistir, ainda dá tempo. - Disse Led, sério.

- Nós não vamos abandonar você. - Corah disse, com a voz firme. - Um amigo não abandona o outro.

Nick concordou com a cabeça. - Nossa amizade nos trouxe até aqui com você. Pode contar conosco.

- Obrigado. - Led sorriu. - Então, vamos em frente!

E, descendo a longa escadaria, os três adentraram na morada da sexta essência.
Capítulo Quarto: Incompleto
A escadaria descia fundo, e a cada passo que o grupo dava, o ar ficava mais quente e mais pesado. Led se remexia em sua armadura, desconfortável. Mesmo Nick e Corah, que vestiam trajes mais leves, se sentiam incomodados com o calor. Mesmo assim, prosseguiram. A escadaria os levou até um corredor circular, com paredes, piso e teto feitos de uma pedra amarelada. Led foi o primeiro a entrar, e avançou um pouco pelo corredor para checar o que estava adiante.

- Esquerda ou direita? - Perguntou, virando-se para Nick.

- A sala faz um circulo fechado, então imagino que não importe muito. Mas existem duas pequenas salas no caminho de ambos lados.

- Então vamos pela direita. Se tiver algo no outro lado que a gente precise, a gente volta.

Nick e Corah assentiram, e o grupo seguiu pela direita. O corredor era estreito, dando apenas para duas pessoas passarem lado a lado. Nick e Led foram na frente, com Corah os seguindo logo atrás. Estatuas incrustadas nas paredes, semelhantes aos golens que vagavam no Deserto de Sogart, olhavam os intrusos com olhos raivosos. Nick engoliu em seco e Corah lançava olhares desconfiados em todas as direções. Apenas Led parecia estar calmo. Após uma breve caminhada, que pareceu uma eternidade para os três, chegaram em uma sala circular. Uma estátua, semelhante as que estavam nas paredes, estava do outro lado da sala, obstruindo o caminho que levava ao outro corredor. Entre ele e o grupo, havia uma mesa com uma cavidade em seu centro. Nick examinou a mesa por alguns instantes enquanto Corah e Led checavam a estátua.

- Parece que precisamos encaixar algo na mesa para mover essa estátua. - Concluiu Nick. - Viemos pelo lado errado.

Led grunhiu, descontente. - Temos que voltar tudo? Nick, que tal se você ir e eu ficar aqui?

- Regra número um, Led: o grupo não se separa. - Disse o professor, franzindo o cenho. - Vamos todos juntos.

Led protestou por mais alguns instantes, mas cedeu. As estátuas não pareciam mais tão assustadoras após terem se acostumado com elas, apesar de ainda manterem cautela para evitar armadilhas. A viagem pareceu mais curta, apesar da distância percorrida ter sido maior. A sala era igual a que eles estavam momentos atrás, exceto a ausência da mesa no centro. Ao invés dela, uma esfera dourada flutuava dentro de um pilar de luz.

- Então é isso que precisamos? - Perguntou Led, avançando para pegar o objeto.

- Espera! - Nick e Corah gritaram. - Não pegue isso ainda! - Nick tentou alertar ao amigo, embora fosse tarde demais.

- Não tem com o que se preocupar! - Led jogou a esfera no ar algumas vezes, confiante. - Viu? Sem armadilhas.

O cavaleiro mal havia terminado de proferir suas palavras quando um som mecânico ecoou pela sala. Uma porta de pedra desceu pelo arco que dava acesso ao corredor pelo qual o grupo havia vindo, e a estátua de golem estalou. Uma luz vermelha vinha de seus olhos, e seu corpo de pedra rachava, revelando um revestimento metálico. Led jogou a esfera para Nick e sacou as Guias da Morte. A aura que as espadas emitiam fizeram Nick e Corah sentirem calafrios, mas seguiram para auxiliar o cavaleiro. Corah proferiu alguns encantamentos, e pequenas chamas começaram a sair da espada. Led agradeceu e avançou contra o golem. A primeira espadada, um golpe vertical com a arma da mão direita, foi bloqueada com facilidade pela máquina, que o aparou com o grosso braço. Led recuou alguns passos e atacou novamente, dessa vez com um corte na diagonal usando a espada da mão esquerda, que foi bloqueado com a mesma facilidade. Com um movimento veloz, o cavaleiro tentou estocar a espada da direita no golem, que segurou a lâmina da arma com as mão.

- Mané. - Disse Led, sorrindo.

Corah proferiu outro encantamento, e as chamas das armas começaram a ficar mais e mais fortes, começando a derreter a carcaça do robô. Nick apressou-se para conjurar um escudo d'água ao redor de Led para evitar que as chamas o afetassem. O golem soltou a espada que ele estava segurando, que acabou sendo fincada em seu torso, e ergueu o braço para atacar Led. Porém, assim que completou o movimento, seu braço, totalmente derretido, acabou sendo arremessado contra o teto. Tentou então livrar o braço que estava aparando a outra espada, mas também já não restava muito dele. Após debater-se por mais alguns instantes, o robô parou. Grande parte de seu corpo agora era um líquido fumegante no chão, com a exceção do braço fincado no teto. Led suspirou aliviado.

- Viram? Sem problemas!

Nick encarou o amigo, visivelmente irritado. - Não faça isso de novo. A gente não sabe nada sobre esse lugar. Tudo aqui pode ser uma armadilha.

- Você se preocupa de mais.

- Eu me preocupo de mais? Você se preocupa de menos!

- Certo, os dois, parem de brigar. - Corah interviu. - Nós temos que recuperar a última essência, e não vai ser brigando que vamos conseguir isso.
Bônus/Anúncio que nunca foi postado
[Anúncio] Fim das atividades da Laevateinn

Texto originalmente escrito em 22/11/2012.
Antes postado tardiamente do que nunca.

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........Primeiramente, saudações a todos que estiverem lendo isso. Recentemente a Laevateinn passou por sérios problemas internos e, por fim, foi decidido que o clã encerraria suas atividades. Nos dói muito realizar este anúncio e ter que por um ponto final no clã e em suas histórias e estórias. A Laevateinn foi criada em Setembro de 2011, e teve suas atividades encerradas oficialmente em Setembro de 2012. Foi um ano conturbado, mas bastante divertido. Ocorreram rixas internas que abalaram severamente o clã logo nos seus primeiros meses, mas mesmo assim conseguimos seguir até completarmos um ano, tudo isso graça a vários membros que tornaram a Laevateinn um local onde amigos se divertiam. Mas, infelizmente, um ano foi apenas que conseguimos durar.

........O fim do clã esteve intimamente relacionado aos problemas do servidor Thor, embora vários outros fatores tenham auxiliado o clã a encontrar seu fim. O desbalanceamento do servidor, a ausência de vários membros, incluindo da liderança, atrasos de meses para realizações de partidas, surgimento do servidor Asgard. Tudo isso contribuiu com uma pá de terra para enterrar a Laevateinn.

........Entretanto, embora o clã esteja encerrando suas atividades no servidor Thor, vários membros se juntaram para fundar a Ordem da Aurora no servidor Asgard. Não, não somos a Laevateinn, nem nunca seremos. Tudo que restou dela são as lembranças, boas e ruins. Novamente afirmo que é com muito pesar que informamos que a Laevateinn não está mais ativa. O clã ainda existe, mas não recrutaremos, nem realizaremos mais partidas. Se você avistar alguém da Laevateinn no servidor, provavelmente ele apenas estava sem nada para fazer enquanto deixava o mercador vendendo no Asgard. Não gaste seu tempo pedindo para ser recrutado. Não rolará.
"O clã foi desfeito em 2013. Welp. GGWP." - Brian, 2015

........Atenciosamente,
........Brian, ex-conselheiro-mor da Laevateinn, atual grão-mestre da Ordem da Aurora.

PS.: Aproveito para deixar meus agradecimentos à Hotaru, que me atura a quase 7 anos; Ao Thiago, Andrew, Lemi, Oriens e Shinx, que abandonaram tudo que tinham no Thor para me seguir rumo a Asgard; Ao Paeron, pois mesmo que a falta de pistas seja uma pista, a Moon e suas tetas sempre estarão em nossos corações; Ao Hell, que mesmo sempre causando dores de cabeças para o resto da liderança sempre se dedicou 140% ao clã; Ao Hopz e seu cabelo de cuia, que foi quem idealizou o clã. Nós não existiríamos sem você. E ao Led/Ryomae/Fletcher, também conhecido como Lorde Tetas, senhor das Terras de Bacon e Toucinho e Senhor Comandante do Exército do 99 em 7 dias. Espero que você esteja feliz na Ordem das Valquírias. Sentimos sua falta. Você estará sempre nos nossos corações. <3
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